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CPI da Covid é instalada em meio a guerra jurídica e com foco em vacinas; acompanhe agora

Senadores governistas tentam atrasar procedimento da CPI da Covid-19. Assim que a reunião foi aberta, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) tentou suspender a sessão.

Apesar das disputas jurídicas, a CPI da Covid foi instalada com sucesso no Senado e no horário previsto. A comissão terá como focos iniciais as falhas no processo de aquisição de vacinas contra Covid e as falas do presidente Jair Bolsonaro minimizando a pandemia e debochando de protocolos científicos adotados internacionalmente.

Os trabalhos começam com a eleição do presidente e do vice-presidente do colegiado. A votação será secreta. Para evitar aglomerações, o Senado instalou urnas na ala Alexandre Costa, onde funcionará a CPI; na saída do plenário e na garagem coberta da Casa. As urnas da garagem serão destinadas preferencialmente aos senadores do grupo de risco.

Depois da eleição do presidente e vice, também será definido, nesta terça-feira, o nome do relator da CPI da Covid. Há acordo para que o senador Omar Aziz (PSD-AM) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) sejam eleitos como presidente e vice, respectivamente, e para que Renan Calheiros (MDB AL) seja escolhido como relator.

Contudo, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) tenta ainda comandar o colegiado. Ele vai apresentar candidatura avulsa, mas com chances remotas de vitória. Paralelamente, a deputada Carla Zambelli obteve na Justiça Federal no DF uma liminar para tentar impedir a nomeação de Renan. Mas a Advocacia do Senado já recorreu.

Urna de votação no Senado
Urna de votação no Senado. Imagem: Reprodução

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O plano de trabalho da CPI da Covid só será apresentado, analisado e votado na quinta-feira. Conforme mostramos ontem, integrantes da CPI da Covid avaliam turbinar o plano de trabalho com a lista com 23 acusações contra o governo federal elaborada pelo próprio Planalto.

A intenção dos senadores, no primeiro momento da CPI, é ouvir cientistas. Em seguida, serão convocados integrantes e ex-integrantes do governo federal. O primeiro da lista é o ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngarten; depois, a prioridade é ouvir o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Não está descartada a possibilidade de se convocar mais de uma vez as mesmas testemunhas.

Essa ordem, contudo, pode mudar diante dos atritos entre a cúpula da CPI e o governo.

Os dois temas principais na abertura dos trabalhos serão o processo de aquisição de vacinas contra Covid e a sabotagem de Bolsonaro às medidas de combate à pandemia. “Para nós está muito clara a participação de Bolsonaro nas mortes por Covid. Agora, precisamos entender se isso foi algo deliberado ou não”, analisa um integrante da CPI em caráter reservado.

Bolsonaro, além de apostar na chamada “imunidade de rebanho”, incentivou aglomerações, o não uso de máscara e a prescrição de medicamentos sem comprovação científica, como a cloroquina.

As reuniões da CPI da Covid serão semipresenciais. Devem ser presenciais apenas os depoimentos mais importantes e acareações. Um confronto tido como certo é entre Wajngarten e Pazuello para explicar eventuais contradições das falas de ambos.

A CPI também adorará como metodologia disponibilizar documentos públicos em uma página própria do colegiado no portal do Senado, em um processo semelhante ao que já ocorre na CPMI das fake news. Os documentos de caráter sigiloso serão acessados apenas pelo relator da comissão.

O governo tem monitorado cada passo da CPI e montou uma espécie de “sala de guerra”, sob coordenação do secretário-geral da Presidência, Onyx Lorenzoni. A tropa de choque bolsonarista dentro da CPI da Covid será comandada por Ciro Noqueira (PP-PI).

Do Antagonista

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