Declaração

Lira sugere usar ‘remédio amargo’ se governo Bolsonaro seguir errando

Presidente da Câmara colocou reformas em segundo plano e disse que sinal amarelo foi ligado. "Quando o povo brasileiro está sob risco nenhum outro tema ou pauta é mais prioritário", disse.

Poucas horas após o anúncio da criação do comitê anti-covid pelo presidente Jair Bolsonaro, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), enviou recado ao Palácio do Planalto, afirmando que há remédios amargos que ele não pretende usar, mas ponderou que tudo tem um limite.

“Como presidente da Câmara dos Deputados, quero deixar claro que não ficaremos alienados aqui, votando matérias teóricas como se o mundo real fosse apenas algo que existisse no noticiário. Estou apertando hoje um sinal amarelo para quem quiser enxergar: não vamos continuar aqui votando e seguindo um protocolo legislativo com o compromisso de não errar com o país se, fora daqui, erros primários, erros desnecessários, erros inúteis, erros que são muito menores do que os acertos cometidos continuarem a serem praticados”, disse Lira, em discurso no plenário da Câmara.

Em seu discurso, por outro lado, o parlamentar do PP afirmou não ser justo “descarregar toda a culpa de tudo no governo federal ou no presidente”.

Depois disso, Lira lembrou dos remédios políticos do Congresso

“são conhecidos e são todos amargos”. “Alguns, fatais. Muitas vezes são aplicados quando a espiral de erros de avaliação se torna uma escala geométrica incontrolável. Não é esta a intenção desta Presidência. Preferimos que as atuais anomalias se curem por si mesmas, frutos da autocrítica, do instinto de sobrevivência, da sabedoria, da inteligência emocional e da capacidade política. Mas alerto que, dentre todas as mazelas brasileiras, nenhuma é mais importante do que a pandemia. Esta não é a casa da privatização, não é a casa das reformas, não é nem mesmo a casa das leis. É a casa do povo brasileiro. E quando o povo brasileiro está sob risco nenhum outro tema ou pauta é mais prioritário”.

Valor Investe

Leia mais:
>>> Conselho Federal da OAB pede a Aras que processe Bolsonaro por “má gestão”

Reunião

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira, 24 de março, a criação de um comitê de coordenação nacional para o combate à pandemia de covid-19. O grupo terá reuniões semanais e será formado pelo chefe do Executivo e os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira, e outros membros.

A medida foi decidida em reunião na manhã desta quarta-feira, no Palácio da Alvorada, onde Bolsonaro recebeu, além dos presidentes do Parlamento, o líder do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, o procurador-geral da República, Augusto Aras, governadores, ministros de Estado e representantes de instituições independentes.

Deixe seu comentário

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
Enviar Mensagem
Entre no Grupo de WhatsApp do Portal