Lockdown

Governador do Piauí: “Se não fechar, país terá 4 mil mortos por dia”

Wellington Dias disse que falta ao governo federal a adoção de medidas nacionais de restrição da circulação de pessoas. Cientistas pedem ‘lockdown’.

Sem um plano de coordenação nacional para viabilizar um amplo confinamento da população brasileira, a crise sanitária irá se agravar, resultando na perda amarga de quatro mil vidas por dia. O alerta foi dado pelo governador do Piauí e representante do Fórum de Governadores, Wellington Dias, em entrevista ao Valor. A advertência chega um dia depois de o Brasil superar a média móvel de 2 mil mortes diárias – foram 2.978 mortes – e passar das 185 mil vidas perdidas. Também foi registrado recorde de novos casos, que chegaram a 90,8 mil infecções em apenas um dia.

Além disso, todos os estados e o Distrito Federal, com exceção de Roraima e do Rio de Janeiro, estão com as redes de saúde em colapso. Para Wellington Dias, a fim de viabilizar uma saída para a crise e estancar o surto, o presidente Jair Bolsonaro precisa sair do negacionismo e mudar radicalmente a atuação do governo diante da pandemia do novo coronavírus.

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“Os estados brasileiros estão adotando essas medidas até domingo – alguns terão medidas ainda depois”, explicou o governador. “Agora, falta o governo federal. Seriam importantes medidas em relação a aeroportos, portos, ferrovias, ao próprio serviço público federal, que definisse o que são serviços essenciais para que tivéssemos medida mais uniformes do Brasil inteiro”, ressaltou.

Dias voltou a criticar a falsa dicotomia entre salvar a economia e salvar vidas, um dos argumentos de Bolsonaro para não adotar o lockdown, medida que poderia salvar milhares de vidas. Ele citou o exemplo de países que impuseram medidas rígidas de restrição.

“O que aconteceu com Alemanha, Itália, Espanha e outros países que também já passaram por situações de agravamento muito forte da pandemia? Nesses países, a adoção dessas medidas foi importante não apenas para a saúde – mas também para a própria economia”, explicou governador do Piauí 

Quadro preocupa a OMS

A gravidade da situação brasileira, uma ameaça mundial ao combate à pandemia, está no centro das preocupações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Há meses a organização vem manifestando a importância do controle sanitário para a segurança do Brasil, de países vizinhos e mesmo de outros continentes. 

Há duas semanas, o diretor da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu rigor ao governo brasileiro na gestão da crise. “ Se o Brasil não levar à sério, então continuará afetando todos os vizinhos, e além”, afirmou. Não se trata apenas do Brasil. É sobre toda a América Latina e o mundo”, constatou Ghebreyesus.

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