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Artigo: Slogans irresponsáveis e seu Evangelho do Pessimismo

Em sã consciência, você entraria com uma faca numa incubadora neonatal para tirar a vida de um bebê? Faria diferença se ali estivesse um fruto de estupro ou uma criança muito aguardada pelos pais? Você mataria uma em detrimento da outra?

Vivemos numa época de exaustivas contestações. Vejo muitas pessoas cuja inteligência vocabular impressiona. Mas a despeito da elegância no falar, defendem até mesmo o indefensável. Evangelistas do caos e da morte pregam ao mundo as suas boas novas. É por isso que, como fruto direto de suas ações, vemos tanta gente defendendo aborto ou descriminalização de drogas.

Em sã consciência, você entraria com uma faca numa incubadora neonatal para tirar a vida de um bebê? Faria diferença se ali estivesse um fruto de estupro ou uma criança muito aguardada pelos pais? Você mataria uma em detrimento da outra?

Quem defende o “meu corpo, minhas regras”  sabe que não pode fugir das perguntas acima. Mas dirá que o aborto ilegal mata muitíssimas mulheres mundo afora. Ou dirá que ninguém deve mandar no corpo de outrem.

Seja o que for que diga, ainda assim estará justificando assassinato. A diferença é que a terceirização do crime funciona como uma venda que o mandante da ação criminosa quer colocar na sociedade toda.

A defesa do direito de usar drogas é outro tema que muitíssimos ativistas não exploram com honestidade intelectual. Preferem dizer que todas as Forcas Armadas estatais têm prazer macabro em dizimar pessoas negras. E a guerra política ou policial que se implementa contra o tráfico de entorpecentes em comunidades pobres é uma fachada para o genocídio dos negros.

O que justificam para convencer o mundo dessa psicopatia súbita que tomaria de assalto todo mundo que passa em concursos do gênero? Nada que tenha base sustentável no mundo inteligível.

É do senso comum perceber que simplesmente não existe esse “Coronavírus da Maldade”. Não existe um vírus que inocule Racismo nas pessoas e atuem como uma pandemia nas forças policiais do mundo. Mas para tais escolas de pensamento tornou-se mais fácil inferiorizar o valor do senso comum dessa compreensão. É que facilita a digestão de tamanha fantasia.

Às vezes acho que em algum lugar uma pessoa inteligente cogitou a existência de certa teoria da conspiração para legitimar a defesa de certos grupos de pessoas. Acho que começou apenas como um divertido jogo mental.

Mas posteriormente alguém resolveu levar a sério só para ver no que dava. Consequentemente isso foi destilado em mil discussões que se pretenderam acadêmicas e científicas.

É evidente que o Racismo, o assassinato frequente de jovens negros e a criminalidade que emerge do tráfico de drogas precisam ser combatidos. As mortes praticadas por policiais precisam, igualmente, ser investigadas. Mas pouco liga-se para tais obviedades. O interessante é pregar o Evangelho do Caos e suas frases de ordem.

Quanto a questões femininas, é lógico que a violência contra a mulher em modalidades como assédio, estupro, feminicídio e afins tem implicações sociais urgentes. Todavia, discursos pseudocientíficos gritam seus slogans revolucionários em todos os meios de comunicação possível.

Eles dizem:

“Se existe pobreza econômica ou falta de estrutura emocional, aborte seu bebê!”.

“Se negros morrem em confrontos policiais nas favelas é porque todas as instituições policiais querem exterminar os negros do mundo!”.

” E mais: Sociedade, aceite nossa arrogância racial e coloque-se sob nossos pés como um ‘mea culpa’ por nos oprimir por séculos!”.

Mas, pergunto-me, por que é tão familiar lidar com problemas de proporções tão grandes a partir de racionalizações tão desonestas?

Percebo que toda grande problemática social é recheada de outros questionamentos. Entretanto muita gente usa slogans que reduzem complexidades a uma simplicidade idiotizante.

Mas quero compartilhar algo que me consola um pouco mais sobre a minha geração. Não são maioria os casos de gente mais velha usando, por exemplo, as redes sociais para defender aborto ou o uso de drogas. Você notou isso?

A maior parte das pessoas que ultrapassa a idade biológica mais relacionada à juventude tem um diferencial. Ela parece ter vivido o suficiente para notar que as experiências que a vida oferece não admitem slogans como respostas prontas.

O contato com a esfera profissional tende a imprimir em todos a noção de que autoridade deve ser obedecida. Além disso, uma progressão na carreira produz mais senso de responsabilidade.

Considerando esses dois aspectos e seus potenciais transformativos, a escolha por um aborto tende a ganhar novos aspectos de reflexão. Igualmente, a defesa de descriminalização de drogas não exerce fascínio avassalador nesse grupo de pessoas.

É por isso que sou alguém que acredita que as bases do mundo não saíram de seus lugares. Elas seguem firmes aonde o Criador as colocou. A verdade, a decência e o senso de responsabilidade humanos ainda existem na maioria das pessoas adultas.

Quem pensa que nada mais tem concerto, apoia a morte, seja de fetos, seja da moralidade cristã. Mas quem observa a vida mais detidamente vê que a Verdade não mudou. Relativizaram-se as pessoas. Porém a Verdade não sofreu mutação alguma.

Ainda é possível ser otimista no mundo atual. Para consegui-lo a gente precisa olhar para além do brilhoso verniz que a maldade deixou sobre o mundo. É verniz, não, essência.

O otimismo vem quando a gente vê que a maioria das pessoas sorri ao ver a alegria inocente nas brincadeiras infantis e defende a vida intrauterina. A esperança também renasce quando vemos alguém livre do domínio das drogas, quando, antes disso, os psicotrópicos roubaram até mesmo a dignidade desse ser humano.

Todos nós continuamos sujeitos a crimes, à morte, às injustiças praticadas a pretexto de ações justas e à malícia humana. Muitos de nós somos exemplos vivos dessas e outras infelicidades. Mas a despeito de nossas dores, os exércitos do Bem estão ao nosso redor.

Sim, o mundo vai mal, num certo sentido. E arrogantes frases feitas que ouvimos tão frequentemente são como um Evangelho tenebroso cuja intenção é alimentar nosso pessimismo mais doentio.

Mas contra slogans ruins há argumentos melhores que estão ao alcance do entendimento de todos nós. Melhor ainda: nós mesmos podemos ser um poderoso argumento que denuncia a guerra e propõe a fraternidade e a paz.

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