Declaração

Gilmar Mendes diz que Lava Jato prendeu Lula, apoiou e integrou governo Bolsonaro

O ministro do STF, em entrevista nesta terça-feira, 16 de fevereiro, teceu duras críticas a operação que prendeu o ex-presidente petista.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou em entrevista a BBC Brasil nesta terça-feira, 16 de fevereiro, que a Operação Lava Jato “apoiou Jair Bolsonaro” e prendeu Lula para “influenciar o processo eleitoral.”

“Primeiro a Lava Jato atua na prisão do Lula. Prestes à eleição, a Lava Jato divulga o chamado depoimento ou delação do Palocci, tentando influenciar o processo eleitoral. Depois, o Moro vai para o governo Bolsonaro, portanto eles não só apoiaram como depois passam a integrar o governo Bolsonaro”, exemplificou o ministro.

Mendes ainda criticou a atuação do ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro na condenação do ex-presidente Lula, dizendo que “fez tudo o que não condiz” no que se espera da relação entre juiz e Ministério Público numa investigação criminal.

Moro condenou Lula em 2017, no processo em que o ex-presidente é acusado de ter recebido um triplex no Guarujá como parte de propina feita pela construtora OAS, em troca de contratos com a Petrobrás.

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O julgamento do recurso de Lula se iniciou em dezembro de 2018, sendo interrompida por pedido do própio Gilmar Mendes. Segundo o ministro, a votação deve ser retomada ainda neste semestre. 

A defesa alega que o fato de Moro ter aceitado um cargo no governo Bolsonaro, atesta a sua parcialidade. Dois ministros chegaram a votar contra o pedido de ex-presidete, Cármen Lúcia e o relator Luiz Edson Fachin.

Gilmar Mendes também falou que a Lava Jato agiu tentando derrubar o ex-presidente Michel Temer realizando a operação que daria a entender que Temer estaria tolerando a corrupção do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

“Se nós olharmos, a Lava Jato tinha candidato e tinha programa no processo eleitoral. E atuou, inclusive, para perturbar o Brasil em termos institucionais. Veja, por exemplo, no caso da Presidência do presidente Temer, aquela operação ligada à JBS e ao procurador Janot. Ali notoriamente se tratava de uma iniciativa para derrubar o governo. Era uma ação política em que se dizia que o presidente da República estava tolerando corrupção do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Ali se via que era não só uma ação policial, mas uma ação política”, declarou o ministro à repórter Nathalia Passarinho.

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