Investigação

Governo Crivella pagou quase R$ 1,5 bilhão à empresas ligadas ao ‘QG da Propina’, diz O Globo

Segundo o MPRJ, as empresas teriam firmado 270 instrumentos contratuais durante governo Crivella (2017-2020).

As cinco empresas citadas em investigações do MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) contra a gestão de Marcelo Crivella na Prefeitura do Rio acumularam um total de R$ 1,48 bilhão em contratos, mostra reportagem de O Globo.

De acordo com análise do gabinete da vereadora Teresa Bergher (Cidadania) no SIG, R$ 1,3 bilhão seria apenas relativo a relações contratuais com o Assim Saúde. O plano, que atende os servidores do município, está na lista de fornecedores e prestadores de serviços que fariam jus as quantias na gestão passada.

Para o MPRJ, o Assim e outras empresas teriam sido favorecidos por pagarem propinas aos integrantes do esquema escuso instalado na prefeitura.

As empresas, que segundo os promotores estariam envolvidas nos esquemas de corrupção do “QG da Propina”, teriam firmado 270 instrumentos contratuais durante o mandato de Crivella, entre 2017 e 2020. Desses, 41 seguem ativos no início do governo Eduardo Paes que, num decreto em 1º de janeiro, deu prazo de 180 dias para um grupo de trabalho avaliar os maiores contratos do município.

“Entre os 74 decretos publicados, um deles, o 48.399, por exemplo, institui Comissão de Investigação Preliminar para apurar possíveis irregularidades que fazem parte da denúncia do MPRJ. Outro cria um Grupo de Trabalho para avaliar os grandes contratos firmados pela administração municipal e garantir a adequação destes contratos às leis vigentes”, diz, em nota, a Secretaria municipal de Fazenda e Planejamento.

Ver mais: 

>> Prefeito Marcelo Crivella é afastado do cargo pela justiça após prisão

>> Marcelo Crivella vai cumprir prisão domiciliar com tornozeleira; Justiça alegou que o político é do grupo de risco

>> Marcelo Crivella, Prefeito do Rio é preso por desvio de dinheiro público

Fundo de pensão usado

Os dados do SIG demonstraram ainda que, para se chegar à alta quantia movimentada por essas empresas, muitos dos contratos sofreram acréscimos na administração Crivella. Os do Assim Saúde, por exemplo, sofreram uma variação de 191% entre os valores iniciais e os atualizados.

Entre eles, o contrato celebrado com o Fundo de Assistência à Saúde do Servidor (FASS) saltou 219%, de R$ 209,2 milhões para R$ 668,2 milhões, e o da Comlurb foi de R$ 102,9 milhões para R$ 337,8 milhões (228% de aumento).

Das cinco empresas, apenas a Claufran não foi contratada nas duas gestões anteriores de Eduardo Paes, de 2009 a 2016, segundo levantamento no Portal da Transparência. O Assim, por exemplo, teve contratos da ordem de R$ 870 milhões nesse período. A Laquix, de R$ 124 milhões; a Mktplus, de R$ 76 milhões; e a Ziuleo, de R$ 8 milhões.

Em relação ao Assim, com base na colaboração premiada de dois executivos do grupo e em provas como mensagens encontradas em celulares apreendidos, o MPRJ concluiu que os atos de corrupção e lavagem de dinheiro envolveram não só fraude na contratação, mas também na posterior prorrogação contratual através do Instituto de Previdência e Assistência do município (Previ-Rio).

Ao longo de três anos, afirma a denúncia enviada à Justiça, teriam sido R$ 50 milhões em propinas entregues ao grupo ligado ao empresário Rafael Alves, entre outros.

“Com a prefeitura numa severa crise financeira, enfrentando dificuldades até para pagar salários, essas empresas ganharam uma fortuna. É triste saber que esse dinheiro, que poderia ser usado para beneficiar o cidadão, foi desviado e dividido com agentes públicos que tinham a chave do cofre. Há contratos que foram aditivados em quase 200%”, afirma a vereadora Teresa Bergher.

Nos últimos quatro anos, no entanto, a segunda empresa com os contratos mais caros aos cofres públicos foi a Mktplus Comunicação, com valores atualizados de R$ 69,2 milhões. Já a que permanece com mais contratos ativos é a Ziuleo Copy Comércio e Serviços, cujos instrumentos assinados no governo Crivella chegaram a R$34,7 milhões, sendo que 30 deles ainda estão em vigor. Ambas as sociedades empresariais, aponta o MPRJ, teriam sido priorizadas nos pagamentos da prefeitura, mesmo não prestando serviços essenciais.

Na gestão passada, uma série de contratações com dispensa de licitação tinha sido alvo de questionamentos de órgãos como o Tribunal de Contas do Município (TCM). A análise das despesas realizadas entre 2017 e 2020 na prefeitura demonstra que, ao longo desses quatro anos, o município fez pagamentos, incluindo de restos a pagar ,de R$ 6,8 bilhões em contratos sem licitação, segundo dados do portal de transparência Contas Rio.

Desse total, R$ 594 milhões foram desembolsados em 2020 para o enfrentamento da pandemia da Covid-19. E, em quatro anos, R$ 1,86 bilhão foi liberado a título de contratações emergenciais.

Deixe seu comentário

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
Enviar Mensagem
Entre no Grupo de WhatsApp do Portal