Opinião

Artigo: VEGETARIANAZISMO? – por Jason Medeiros

“No novo Reich, nenhuma crueldade contra os animais será permitida.” – Adolf Hitler, “Tierschutzgesetz”, Lei de Proteção Animal (1933).

O vegetarianismo é um estilo de vida baseado na exclusão de alimentos de origem animal da dieta do indivíduo que o adota. O veganismo, por sua vez, não somente exclui produtos de origem animal da dieta do vegano, como também os retira de toda e qualquer necessidade de consumo humano, sejam roupas, materiais de trabalho, etc.

A base moral dessas ideologias é resumida pelo conceito filosófico conhecido como Especismo, concebido pelo psicólogo britânico Richard Ryder, e, posteriormente, desenvolvido pelo filósofo Peter Singer na sua célebre obra Liberação Animal (1975), e que afirma que o ser humano não tem o direito natural de explorar o ser animal, principalmente os sencientes (aqueles capazes de sentir emoções conscientemente), como bem entende, de acordo com as suas necessidades. “De modo similar ao sexismo e ao racismo, a discriminação especista pressupõe que os interesses de um indivíduo são de menor importância pelo mero fato de se pertencer a uma determinada espécie animal”.

Normalmente os ativistas dos “direitos” dos animais, assim como os ambientalistas, se encontram à esquerda no espectro político. Isso é explicado na obra Explicando o Pós-modernismo: Ceticismo e Socialismo – de Rosseau a Foucault (2009), do filósofo canadense Stephen Hicks, veja:

“O ímpeto dessa nova estratégia, cujo espírito foi muito bem-capturado no título de From Red to Grenn de Rudolf Bahro, estava integrado à nova ênfase dada à igualdade em detrimento da necessidade. No marxismo, o domínio tecnológico do ser humano sobre a natureza era um pressuposto de socialismo. O marxismo era humanista no sentido de que colocava os valores humanos no centro de sua estrutura de valores, assumindo que o ambiente existe para que os seres humanos façam uso e proveito dele a fim de atender suas necessidades. Mas os críticos igualitários passaram a argumentar, de maneira mais contundente, que, assim como os brancos, ao priorizar seus interesses, haviam subjugado as demais raças, os seres humanos, ao priorizar seus interesses haviam subjugado as outras espécies e o meio ambiente como um todo”.

 NAZISMO

O nacional-socialismo (nazismo) foi uma ideologia política totalitária marcada pelo anticapitalismo, antimarxismo, antissemitismo, mas também pelo holisticismo.

A cultura do (o culto ao) orgânico no regime nazista não era um mero detalhe, mas sim pilar fundamental da ideologia nacional-socialista. “Orgânico” e “holístico” eram palavras usadas como termos técnicos para designação do seu conceito de totalitarismo. Os ideólogos nazistas tinham a crença de que os arianos eram os povos nativos da Europa, e que haviam sido colonizados pelos romanos e cristãos, sendo assim privados da sua simbiose natural com a terra. Hans Schemm, ministro do Gabinete bávaro, afirmava que “o nacional socialismo é biologia aplicada”; Richard Darré, ideólogo nazista, resumiu bem a ideologia Volk ao dizer: “Remover o alemão da paisagem natural é matá-lo”; Ernst Lehmann, biólogo nazista, também dizia que “separar os humanos da natureza, do todo da vida, leva à própria destruição da humanidade e à morte das nações”. Os nazistas haviam lançado a concepção orgânica da união entre sociedade e Estado, que encontra guarida nas palavras do historiador alemão Johann Droysen que escreveu que o Estado é “a soma, o organismo unido de todas as parcerias morais, seu lar e porto comuns e, até o momento, seu fim”.

Uma curiosidade histórica que a maior parte das pessoas não sabe, mas que já foi confirmada por testemunhas que viveram com Hitler; por um estudo recente realizado na arcada dentária do ditador por um grupo de pesquisadores franceses que tiveram acesso aos restos mortais guardados pela antiga NKVD, atual FSB (Serviço de Inteligência Russo); e é encontrada em obras biográficas do Führer, como a consagrada do historiador Ian Kershaw, por exemplo, é a de que ele era vegetariano.

As afirmações iniciais foram extraídas do livro Fascismo de esquerda: a história secreta do esquerdismo americano (2008) do jornalista e cientista político Jonah Jacob Goldberg, que também explica brevemente o vegetarianismo de Hitler e dos nazistas:

“Hitler afirmava ser um vegetariano dedicado. Na verdade, ele podia falar durante horas a respeito das vantagens de uma dieta sem carne e sobre a necessidade absoluta de comer grãos integrais. Himmler, Rudolf Hess, Martin Bormann e talvez Goebbels eram vegetarianos ou cultivavam algum tipo de fetiche com relação à alimentação natural. […] Hitler frequentemente dizia que seu vegetarianismo havia sido inspirado por Richard Wagner, que, num ensaio de 1891, argumentava que a ingestão de carne e a mistura de raças eram as causas gêmeas da alienação do homem ao ser afastado do mundo natural. Portanto, ele convocava para uma ‘verdadeira e calorosa amizade com os vegetarianos, os protetores dos animais e os amigos da temperança’. […] Hitler acreditava que o homem havia se equivocado ao adquirir o hábito de comer carne, por puro desespero, durante a Idade Glacial e que o vegetarianismo era a prática humana mais autêntica. […] Muitos ideólogos nazistas de destaque também partilhavam o mesmo profundo compromisso que vemos hoje com os direitos dos animais, e não apenas com seu bem-estar. ‘Como se pode ter prazer em ficar escondido por trás de alguma proteção e atirar em pobres criaturas que passeiam nas margens de um bosque, inocentes, indefesas e sem suspeitar de nada?’, perguntou Heinrich Himmler. ‘Isso é puro assassinato.’ Uma das mais altas prioridades dos nazistas depois de chegarem ao poder era implementar uma ampla legislação sobre direitos dos animais. Em agosto de 1933, Hermann Göring proibiu a ‘insuportável tortura e sofrimento em animais de laboratório’, ameaçando mandar para campos de concentração ‘aqueles que ainda pensam que podem tratar os animais como propriedade inanimada’. Para qualquer um com uma bússola moral que funcione, isso só pode ser visto como a dissonância cognitiva de um bárbaro. Mas, para os nazistas, tudo fazia sentido. Os alemães precisavam se reconectar com a natureza, restaurar sua pureza orgânica, encontrar um equilíbrio holístico. Os animais têm exatamente esse tipo de equilíbrio porque são imunes à razão. Daí que os ideólogos acreditavam que os animais fossem virtuosos e merecessem respeito. Os judeus, por outro lado, eram corpos estranhos e desenraizados. Por causa deles, a ‘comunidade biótica’ da Alemanha estava desequilibrada.”

É preciso ressaltar aqui que eu não estou advogando pela tese de que nazistas e vegetarianos/veganos andam de mãos dadas e são equivalentes moralmente. Isso fugiria a qualquer senso das proporções e razoabilidade de análise. Mas, estou buscando entender e esclarecer junto ao leitor, como a ideologia nazista foi capaz de, ao mesmo tempo, ser vanguardista na defesa dos direitos dos animais (inclusive promulgando a Lei de Proteção Animal em 1933 que proibia a caça, regulava o transporte de animais, restringia à vivissecção, etc) e promotora de um dos maiores genocídios da história da humanidade. E, em que medida esse esquema mental pode perdurar, de forma embrionária, na mentalidade daqueles que hoje são ativistas pelos direitos dos animais, mas que condenam moralmente o nazismo.

Para tentar compreender essas questões, vejamos alguns argumentos sobre as diferenças entre as naturezas humana e animal, e se os animais têm mesmo direitos.

HOMEM X ANIMAL

Para o filósofo grego Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.), os animais diferiam do homem na escala natural por serem seres irracionais, sem o dom linguagem, sem vida social e moral, portanto, não teriam interesse próprio, existindo apenas para benefício dos seres humanos:

“É evidente que o homem, muito mais que a abelha ou outro animal gregário é um animal social. O homem é o único entre os animais que tem o dom da fala. Na verdade, a simples voz pode indicar a dor e o prazer, e outros animais a possuem, mas a fala tem a finalidade de indicar o conveniente e o nocivo, e, portanto, também o justo e o injusto”.

Já o filósofo inglês Roger Scruton (1944-2020), em Direitos e “Erros” dos Animais (1996) afirma que:

“Os animais já foram considerados coisas, colocados na terra para nosso uso e gozo, para ser tratado de acordo com a nossa conveniência. Isto não é mais assim. Todas as pessoas que pensam agora reconhecem o abismo que existe entre seres sencientes e não sencientes, e quase todos reconhecem que não temos o direito dado por Deus de ignorar o sofrimento que causamos justo porque a vítima pertence a alguma outra espécie. Alguns, entretanto, vão além disso, estendendo aos animais os direitos que até agora foi reservado para humanos […] O conceito de pessoa, que derivamos do direito romano, é fundamental para todo o nosso pensamento jurídico e moral. Tem o significado da Civilização Cristã e da ética que a governou, assim como as sementes da visão iluminista que põem em dúvida o cristianismo. A forma magistral como este conceito foi retirado por Kant da corrente da vida social e colocado num pedestal metafísico não nos deve distrair do seu emprego quotidiano como o conceito através do qual as relações humanas são intermediadas. As nossas relações mútuas não são animais, mas pessoais e os nossos direitos e deveres são aqueles que só uma pessoa poderia ter”.

Em sua outra obra, Sobre a Natureza Humana (2017), Scruton detalha o que ele considera a diferença essencial entre as naturezas do homem e do animal:

“Distinguimos materiais (stuffs) de coisas (things). Água é um material; ouro também. Um anel feito de ouro é uma coisa; mas o é, por assim dizer, somente acidentalmente: poderia ser derretido, tornando-se um elo numa corrente, uma estatueta ou apenas um pedaço de ouro. Sua essência reside no material de que é composto, e o fato de ser essa coisa e não outra é apenas um acidente em sua história. Outros itens em nosso mundo são essencialmente coisas: o paradigma disso são os animais. Meu cavalo Desmond é um cavalo particular; embora seja composto de vários materiais – água, carne, sangue –, ele é essencialmente essa coisa e, deixando de ser essa coisa, ele deixa de ser. Um dia Desmond vai desaparecer do esquema das coisas. Ele é idêntico a si mesmo através do tempo, o substrato que resiste a suas muitas mudanças. E por isso teria sido descrito, por Boécio ou Aquino, como uma substância individual. Desmond é mais indivíduo do que uma pedra, uma vez que se pode dividir uma pedra em duas e ainda ter os mesmos componentes do universo – apenas o arranjo terá mudado: dois pedaços de pedra em vez de um só. Mas, se dividirmos Desmond em dois, não substituiremos um cavalo por dois. Vamos perder o cavalo. O mundo depois da divisão será ontologicamente mais pobre, uma vez que Desmond, o cavalo, terá desaparecido. Porém, ao mesmo tempo, a individualidade de Desmond, comparada com a minha, é uma coisa superficial. Eu me identifico como indivíduo através do tempo. Assumo responsabilidade pelo meu passado e faço promessas para o futuro: eu reivindico o mundo como esfera da minha própria atuação. E fazer isso é uma expressão da individualidade profunda que é parte da condição humana – que é a condição de uma criatura que pode dizer “eu”. Essa individualidade profunda se expressa tanto nas leis de Hamurabi como nos sonetos de Petrarca e pode ser lida tão claramente numa inscrição de uma tumba da antiga Atenas como numa lápide vitoriana, e é uma constante da condição humana – a premissa de todas as nossas esperanças e medos e a coisa que define a nossa felicidade. Isso não significa que somos átomos desprendidos, buscando nossa satisfação sem atenção para os outros. Claramente, se o argumento do último capítulo estiver correto, essa individualidade profunda é em si mesma uma condição social, algo que surge apenas porque indivíduos estão em relações que implicam compromisso, reconhecendo responsabilidades e adotando o ponto de vista da segunda pessoa para outros como parte integral de adotar o ponto de vista de primeira pessoa para si mesmos. Por isso, temos claramente a questão inevitável de como viver com outros, e como moldar nossas próprias emoções e háitos de modo a curtir a cooperação deles.”.

Em Uma Filosofia Política: Argumentos para o Conservadorismo (2006), Scruton explica como a natureza moral do homem é que permite a compreensão dos conceitos de justiça, dever e direito:

“Ao contrário dos animais, temos uma experiência moral, estética, e religiosa; rezamos para coisas visíveis e invisíveis; rimos, cantamos e nos afligimos; ficamos indignados com as coisas, as aprovamos e nos assombramos com elas. E interagimos uns com os outros de modo especial, por meio das relações de troca possibilitadas pela razão prática e por seus conceitos correlatos de justiça, dever e direito. Os seres humanos são, em ato ou potência, membros de uma comunidade moral na qual cada um desfruta de uma soberania sobre os próprios atos, desde que conceda a mesma soberania aos outros. Os conceitos de direito e dever regulam essa comunidade e garantem que os conflitos sejam resolvidos, em primeira instância, por meio da negociação, não da força. E com tudo isso vem um enorme peso da culpa. A moralidade e a autoconsciência nos colocam num estado de juízo sobre nós mesmo, de modo que constantemente possamos ver de fora nossas ações e qualidades e julgá-las assim como os outros nos julgam. (É parte do exercício do diálogo moral e dos conceitos de dever, direito e justiça gerar esse ponto de vista externo.) Nós nos separamos dos nossos instintos, e até a alegria espontânea do companheirismo é diminuída pela triagem do juízo pela qual ela deve passar primeiro. […] Quando faço uma distinção entre os seres humanos e outros animais, não confiro um significado moral à diferença de espécies, mas à diferença entre um ser moral, que vive como sujeito e objeto de juízo, e um ser não moral, que apenas vive. Talvez todos os seres morais pertençam a uma única espécie, mas quando faço uma distinção entre a vida e a realização de uma pessoa e a vida e a realização de um cão, não levo em consideração a espécie. E se há alguma distinção moralmente relevante, então certamente a distinção entre o ser moral e o não moral é uma delas.”.

E, em Filosofia Verde: Como Pensar Seriamente o Planeta (2012), ele nos questiona sobre as ideias utilitaristas aplicadas à ética animal e ambiental:

“Recordemos o motivo pelo qual Pilatos, depois de ouvir uma justificativa utilitária impecável, lavou as mãos. Temos aqui um sentido muito claro do conflito entre expediente político e direito moral, e o segundo não pode ser suprimido pelo primeiro, mesmo que por vezes seja por ele sobreposto. Mas quando se trata dos valores intrínsecos da “nova ética”, ficamos expostos a terrenos muitos mais incertos. Foram poucos os filósofos que se excederam a ponto de afirmar que árvores têm direitos. Não estou convencido de que devemos atribuir “direitos” sequer aos animais, mesmo quando fazemos tudo para salvaguardar os seus interesses. É inadmissível construir uma estrada no meio de um hábitat precioso apenas porque seria momentaneamente útil aos seres humanos. Também reconheço que boa parte das práticas humanas, na esfera do lazer e do comércio, revela-se injustificável quando leva uma nobre espécie à extinção. Por outro lado, será que foi um equívoco exterminar os lobos e leões na Europa – um equívoco semelhante ao dos vikings, quando estes destruíram a vida e as terras dos anglo-saxões; semelhante ao dos revolucionários franceses quando provocaram um genocídio em La Vendée; ou quando Stálin liquidou os Kulaks? Um equívoco semelhante ao de usar uma tela de Rembrandt para apagar um fogo perigoso quando não há nada mais na mão? Aldo Leopold declarou notoriamente em The Land Ethic: ‘Uma coisa é certa quando tende a preservar a integridade, a estabilidade e a beleza da comunidade biótica. Torna-se errada quando faz o contrário’. Será que ele de fato quis dizer que devemos acolher positivamente um ecossistema sustentável no qual leopardos regularmente se banqueteiam com crianças e que deveríamos nos opor àqueles que, ao expulsar leopardos, promovem uma explosão insustentável da população humana?”.

CONCLUSÃO

Esse artigo não teve a pretensão de esgotar o tema sobre os “direitos” dos animais, mas sim entender como os nazistas eram defensores dos animais ao mesmo tempo em que eram assassinos inescrupulosos de pessoas inocentes, e se essa mesma mentalidade pode ser observada em algum nível nos ativitas vegetarianos/veganos dos nossos dias. Para isso eu apresentei brevemente os conceitos de vegetarianismo, veganismo, e especismo; porque eles se encaixam normalmente à esquerda no espectro político; o contexto histórico e ideológico do vegetarianismo nazista; e os argumentos de filósofos que discutiram as diferenças entre as naturezas humana e animal, bem como se o último possuía direitos.

O que observo ao final dessa empreitada é que assim como os nazistas, os ativistas vegetarianos/veganos aplicam aos animais uma visão antropomórfica, ou seja, uma humanização do animal. No caso mais particular dos nazistas também havia o inverso, a animalização do homem (judeus), para que pudessem ser executados mais facilmente como um controle de pragas, uma vez que a despersonalização dos sujeitos estava completa.

Essa humanização dos animais e animalização do homem é exatamente o que esclarece a nível sensível como as naturezas humanas e animal são distintas e, portanto, com direitos distintos. Para que possamos descartar seres humanos nós precisamos bestializá-los, despersonalizá-los, chamarmos um bebê no ventre de sua mãe de feto ou conjunto de células, enquanto que para humanizar o animal, colocamos nele nome, roupas, emoções e sentimentos humanos. Scruton também observa isso ai dizer que “Os defensores dos animais não raramente também defendem a morte de humanos inúteis”.

Leia também:
>>>Artigo: Fake News e Pós-verdade – por Jason Medeiros

Os casos que ilustram o que afirmo são evidentes e atuais, por exemplo, quando a presidente da PETA (People for The Ethical Treatment of Animals, ou Pessoas a Favor do Tratamento Ético de Animais) Ingrid Newkirk declarou que “Quando se trata de sentimentos, um rato é um porco é um cão é um menino. Não existe nenhuma base racional para se dizer que um ser humano tenha direitos especiais.”; ou quando a PETA lançou a lamentável campanha contra o consumo de alimentos de origem animal: “O holocausto no seu prato”; ou quando anos atrás numa cidade italiana de Veneza, crianças de 2 à 8 anos foram proibidas de brincar num parque da região de Villa Groggia, após uma madame ter reclamado às autoridades que o seu cão estava sendo perturbado; as legislações de proteção aos animais ampliam e recrudescem, enquanto leis contra aborto são flexibilizadas. Recentemente, por exemplo, foi aprovada pelo Senado Federal uma lei que prevê o aumento da pena para quem comete maus-tratos com os animais. Todavia, a pena para esses casos passou a ser maior que a aplicada aos maus-tratos contra humanos e até mesmo crianças. Neste momento a Prof.ª Livre Docente de Direito Penal da USP e Deputada Estadual (PSL-SP) Janaína Paschoal, comentou:

“Sei que serei xingada, por dizer o que vou dizer, mas vou dizer. Não tem lógica elevar a pena de maus tratos aos animais para patamar superior ao previsto para maus tratos a seres humanos, inclusive crianças. Mesmo as penas de lesão corporal simples são inferiores. O Direito Penal deve ser sistemático. Eu abomino qualquer tipo de violência contra os animais, mas o sistema, ainda que simbolicamente, não pode passar a mensagem de que os maus tratos aos seres humanos são menos reprováveis. Desculpem!”.

Esses episódios demonstram para onde o clima de opinião está sendo conduzido, a de que seres humanos e seres animais têm os mesmos direitos. A expectativa para o futuro, se essa linha se mantiver, é a de que em breve poderemos verificar situações onde as exigências de um entrarão em conflito com as necessidades do outro.

Gostaria de aproveitar esse último momento para agradecer ao leitor que concluiu a leitura do texto e pedir para que compartilhe conosco a sua opinião sobre o que discutimos ao longo do artigo. Até logo.

“Onde quer que haja adoração a animais, ali haverá sacrifício humano.” – Gilbert Kieth Chesterton

Por: Jason Medeiros

Jason de Almeida Barroso Medeiros, 26 anos, bacharelando em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco; Oficial da Reserva do Exército Brasileiro pelo CPOR/R; Entusiasta da filosofia política e editor do perfil @ocontribuinteoriginal no Instagram.

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