Crítica

Ex-ministro do governo Dilma diz que militares deveriam abandonar Bolsonaro

“Talvez alguns tivessem a ilusão de que poderiam tutelar o presidente. O Bolsonaro é intutelável”, diz Celso Amorim

Em entrevista ao site ‘Tutaméia’, ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa defende a saída das Forças Armadas do governo. Diplomata apela à sensatez de oficiais do comando com quem conviveu: “Talvez alguns tivessem a ilusão de que poderiam tutelar o presidente. O Bolsonaro é intutelável”

Amorim lembrou de “pessoas sensatas” do comando das Forças Armadas com as quais conviveu quando foi ministro da Defesa. “Eram pessoas respeitosas da lei, pessoas que se interessavam pela defesa do país – estávamos debatendo acordos militares com a China e com a Rússia”, recordou.

“Fico muito espantado com essa visão diminuída do Brasil, do ponto de vista estratégico, de ser um quintal dos Estados Unidos, e todos esses desmandos na área governamental – na área de educação, na área ambiental, nas relações governamentais, em todos esses lugares é um desastre sem tamanho”, prosseguiu Amorim.

“Conheci pessoas muito sérias nas Forças Armadas. Mas vejo que elas estão muito afetadas. Acho que todas essas coisas são lamentáveis em todos os aspectos. A minha opinião é que as Forças Armadas deveriam sair”, concluiu o embaixador.

“É lamentável para a instituição, como instituição, essa contaminação política”, critica Amorim, lembrando que há um general na Casa Civil, um general da ativa na Saúde e a presença de milhares de militares em cargos federais, ressaltando que nem todos nas Forças Armadas estão satisfeitos com isso, embora ainda não haja verbalização. Com exceção do general Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria do Governo de Bolsonaro.

Em resposta ao ex-chefe, que havia dito que “quem decide se um povo vai viver na democracia ou na ditadura são as suas Forças Armadas”, Santos Cruz retrucou: “Só posso dizer que isso é covardia com a população e com as Forças Armadas, que trabalham e se dedicam às suas atividades, à defesa do Brasil e em auxílio à população em todos os momentos de necessidade, sempre dentro da lei”.

Para o general, a fala de Bolsonaro foi mais uma tentativa de enganar a população e de arrastar as Forças Armadas para o centro de discussões políticas.

“Isso aí é um devaneio completo. Falta de responsabilidade total, não tem cabimento querer envolver Forças Armadas em aventura política pessoal. Isso não é estratégia nenhuma, idiotice não é estratégia”, atacou o ex-ministro.

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