Imprensa

Artigo: Fake News e Pós-verdade – por Jason Medeiros

As Fake News não são novidade e rodeiam os leitores de todo o mundo com se fosse informações legítimas.

Após os avanços tecnológicos ocorridos durante todo o século passado, e mais intensamente após a década de 80, com o desenvolvimento dos microprocessadores, da rede de computadores, do cabo de fibra óptica, e da internet, considera-se que o mundo superou a Era Industrial e inaugurou a Era da Informação (também conhecida como Era Digital ou Era Tecnológica) a qual vivemos.

Esse dado da realidade pode causar no leitor a impressão de que estamos rodeados de informações legítimas, mas a verdade é que isso só explica a velocidade e o volume com que elas circulam entre nós.

Fake News

As famosas Fake News, não são uma novidade dessa Era. Elas são nada mais nada menos que as “boas” e velhas notícias falsas, e que acompanham toda a história da humanidade.

A título ilustrativo, um exemplo recente de Fake News foi a notícia veiculada pela revista Época na última segunda-feira (18/01/2021):

Notícia falsa envolvendo Dr Didier.
Fake News envolvendo Dr Didier, um dos maiores defensores da Cloroquina.

Notícia falsa repercutida pela revista Época em 18/01/2021

Caso o jornalista que assina a matéria houvesse sido mais cuidadoso na apuração dos fatos, como previsto no Código de Ética da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Art. 7º: “O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos, e seu trabalho se pauta pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação”, teria verificado que no mesmo dia da sua publicação, mas horas antes, o autor da suposta afirmação desmentiu a informação e ainda expôs o link do seu estudo onde ele conclui o exato oposto do que fora transmitido pela mídia, veja:

Fake Nwes
Fake News

Tradução: “A eficácia do HCQ + AZ na redução da duração do transporte viral, demonstrada em nosso estudo IJAA, foi confirmada, com subsequente demonstração de eficácia na mortalidade. Nunca mudamos de ideia. Detalhes em nossa última revisão”.

Link: //pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33356661/

Pós-Verdade

Apesar da provável familiaridade que o nosso interlocutor possa ter com o primeiro conceito, não tão provável assim é que ele tenha a mesma intimidade com a definição de Pós-verdade, até mesmo porque esse é um conceito um pouco mais sofisticado e que não se confunde necessariamente com o primeiro, apesar de às vezes aparecerem juntos não ocorre sempre dessa forma.

A Pós-verdade é o nome que se dá à descrição do fenômeno que ocorre quando o emissor de uma informação, a fim de modelar a opinião pública, se importa menos com a verdade objetiva do fato, e mais com o apelo emocional que irá causar no público ao transmiti-la.

Em 2016 a Universidade de Oxford elegeu o vocábulo “pós-verdade” como a palavra do ano na língua inglesa. O Dicionário de Oxford conceitua o termo como sendo as “circunstâncias onde os fatos objetivos são menos influentes na opinião pública do que emoções e crenças pessoais”.

Para que o leitor possa compreender melhor como funciona o supramencionado fenômeno, apresentarei dois exemplos recentes e que diferem das notícias falsas. Senão vejamos:

Fake News
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Pós-verdade exemplo (1)

 

Neste primeiro exemplo é possível observar que apesar de não se tratar de uma notícia falsa, a manchete veiculada no tradicional Jornal do Comércio de Pernambuco visa claramente causar pânico na opinião pública quanto ao uso de medicamentos com base na substância cloroquina para tratamento da COVID-19, pois uma pessoa faleceu após o uso da substância. Todavia, na própria matéria é explicado que o acidente ocorreu em razão do consumo de material usado para limpeza de aquários e que possuía fosfato de cloroquina.

 

Pós-verdade exemplo (2)

Fake News, Artigo: Fake News e Pós-verdade – por Jason Medeiros
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Neste segundo exemplo temos novamente uma notícia onde não importa se o fato é verdadeiro (como é), mas sim a produção de uma histeria coletiva, o que na prática pode agravar o caos social e não o contrário (isso se dermos um voto de boa-fé ao editor da matéria).

O jornalista pernambucano, e correspondente internacional do The Epoch Times, Fernando de Castro explica:

“Ainda que a pessoa não leia todo o texto, a informação do título é absorvida por ela. Para entender o que há por trás desse fenômeno, David Ogilvy explica essa prática ao afirmar que um título merece mais atenção e empenho ao ser elaborado. Já o corpo do texto, torna-se um mero pormenor. Tal prática no jornalismo não é diferente. Manchetes sensacionalistas são as ferramentas nas mãos dos redatores sedentos pelos êxitos dos chamados “caça-cliques”. Dessa forma, o fenômeno da pós-verdade ganha, diariamente, novos capítulos nas redações dos portais de notícias […] Portanto, quanto maior for o monopólio das informações por parte dos conglomerados da imprensa, maior será o controle deles sobre os consumidores. Ainda que no ambiente digital haja a possibilidade de o usuário escolher suas fontes de notícias, não há como negar o superior poder de influência dos integrantes da chamada mídia tradicional. Manchetes elaboradas com determinadas saliências de uma parte da informação e omissão de outras, são construídas com o intuito de apelar às emoções e sentimentos do leitor, influenciando-o a ter a conclusão desejada pelo redator. Dessa maneira, na guerra das informações, vence quem apelar melhor os sentimentos dos leitores. E quanto aos fatos, eles que deem um jeito de ganhar algum espaço na mente do leitor em meio à disputa entre narrativa e acontecimento”.

Tanto o fenômeno das Fake News quanto o da Pós-verdade não são uma exclusividade desse ou daquele órgão de mídia. Por isso mesmo que o leitor deve sempre estar atento a tudo aquilo que lê e compartilha, e sempre deve advogar por uma imprensa livre de censura e monopólio, pois só assim nós possuiremos ferramentas para dirimir o dano causado por pessoas mal-intencionadas no uso dessas plataformas de informação e que são consideradas, não sem razão, o Quarto Poder (imprensa), graças à influência que exercem no comportamento das massas.

“Uma mentira pode dar a volta ao mundo, enquanto a verdade ainda calça seus sapatos.” – Mark Twain

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Por: Jason Medeiros

Jason de Almeida Barroso Medeiros, 26 anos, bacharelando em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco; Oficial da Reserva pelo CPOR/R; Entusiasta da filosofia política e editor do perfil @ocontribuinteoriginal no Instagram.

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