Opinião

Artigo: Socialista não entende de Economia! – por Jason Medeiros

De acordo com escritor, a teoria econômica socialista pode ser resumida em quatro eixos. Confira quais são.

Os entusiastas do modelo econômico proposto pela ideologia socialista sempre advogaram pela “racionalidade” de uma economia planejada em oposição ao “irracionalismo” da economia de mercado, uma das marcas da ordem política liberal.

A teoria econômica socialista pode ser resumida nos seguintes itens:

  1. a) Abolição da propriedade privada;
  2. b) Coletivização das propriedades produtivas;
  3. c) Estatização dos meios de produção;
  4. d) Economia planificada (planejada/centralizada).

No início da década de 20 do século passado, o economista austríaco Ludwig von Mises (1881-1973) elaborou um estudo sobre a aplicação das teorias comunistas. Em seu livro, Socialismo: Uma análise econômica e sociológica (1922), Mises realiza uma extensa análise dessa ideologia e conclui de forma veemente as razões pelas quais esse sistema econômico é impossível de ser aplicado, senão vejamos:

I. O sistema socialista abole, coletiviza, e estatiza as propriedades privadas de bens de capital e recursos naturais;

II. Como a propriedade privada dos meios de produção ou bens de capital e recursos naturais, deixa de existir, tudo passa a pertencer e ser controlado pelo Estado;

III. Como o Estado passa a ser o dono de todos os bens de produção e capital, eles não podem ser trocados/comercializados;

IV. Como tudo passa a ser do Estado e eles não podem ser trocados, o mercado de bens deixa de existir;

V. Na ausência de livre mercado, destrói-se a formação de preços;

VI. Como não há mercado, e consequentemente preços, o Estado é obrigado a fixar preços artificialmente;

VII. Sendo assim, ele, o Estado, não pode calcular os lucros e prejuízos Reais da sua própria produção;

VIII. Logo, o Estado não poderá alocar racionalmente os seus recursos uma vez que os preços artificiais não o permitirão saber os meios mais valiosos de usar recursos escassos;

IX. Portanto, o Estado não poderá calcular racionalmente o custo da própria produção de bens e serviços que oferece;

X. Conclusão, no SOCIALISMO a economia é IMPOSSÍVEL!

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Influenciado por Mises, o prêmio Nobel de economia em 1974, Friedrich A. von Hayek (1899-1992) disse a respeito:

“O sistema de preços tem como verdadeiro papel transmitir informação. É maravilhoso como, em caso de escassez de um determinado bem, sem que ninguém tenha que dar uma ordem, e talvez com apenas um punhado de indivíduos conhecendo as causas, dezenas de milhares de pessoas cuja identidade não se poderia determinar em meses de pesquisa, começam a utilizar esse material com mais cuidado, ou seja, a mover-se na direção correta”.

E o filósofo inglês Roger Scruton (1944-2020) detalha ainda mais a questão:

“O detalhe importante no argumento é que o preço de uma commodity só transmite informação econômica confiável se a economia for livre. Somente em condições de trocas voluntárias é que os orçamentos dos consumidores individuais contribuem para o processo epistemológico, como poderíamos chamá-lo, que gerou na forma de preço a solução coletiva para o problema econômico – saber o que produzir e o que trocar pelo que for produzido.

Todas as tentativas de intervir nesse processo, seja pelo controle da oferta ou do preço de um produto, levarão a uma perda do conhecimento econômico.

Esse conhecimento, pois, não está contido em um plano, mas somente na atividade econômica dos agentes livres à medida que produzem, comercializam e trocam bens de acordo com as leis da oferta e da procura.

A economia planificada, que oferece uma distribuição racional, e não uma distribuição ‘aleatória’ como a existente no marcado, destrói a informação da qual depende o funcionamento adequado de uma economia.

Como consequência arruína a própria base de conhecimento. Este é o exemplo supremo de um projeto supostamente racional, embora não o seja em hipótese nenhuma, uma vez que depende do conhecimento que só está disponível nas condições que ele mesmo destrói.”

Apesar de todo esse silogismo você deve estar se perguntando: Como a URSS ficou de pé por tanto tempo? Simples, ela sobreviveu artificialmente graças a abertura comercial realizada por Lênin, conhecida como NEP (Nova Política Econômica), que atraiu investimentos estrangeiros; e a exploração dos países satélites durante toda a sua existência.

Mesmo assim, na década de 80, um cidadão soviético consumia em média menos proteínas que um súdito do regime Tzarista em 1913, e possuía um padrão de vida inferior, sob muitos aspectos, aos africanos do sul durante o apartheid. Para a sua derrocada completa “bastou” o empurrão dado pela concorrência comercial direta estimulada pelo presidente norte-americano à época, Ronald Reagan.

Lamentavelmente, os comunistas tentam negar a verdade óbvia de que a propriedade privada e as trocas voluntárias são características essenciais de qualquer economia de larga escala, leia-se: qualquer economia em que as pessoas dependem das atividades de desconhecidos para sobrevivência e prosperidade.

Todavia isso nos ajudar a compreender que o conceito de comunismo é muito mais amplo que a mera expropriação dos meios de produção, como e comumente empregado inclusive em manuais, além de explicar em partes a “quimera” chinesa, denominada pelo historiador britânico Robert Service como “Comunismo Capitalista”, e que será objeto de artigo futuro.

“A inviabilidade da economia socialista já estava demonstrada, em teoria, desde a década de 20. A prova, feita pelo maior dos economistas do século XX, Ludwig von Mises, era bem simples: socialismo é a economia planejada; planejamento supõe cálculo de preços; não havendo mercado, não há com base em quê fazer o cálculo de preços; logo, não é possível planejar uma economia sem mercado; portanto, o socialismo é impossível.”Olavo de Carvalho

Por: Jason Medeiros

Jason de Almeida Barroso Medeiros, 26 anos, bacharelando em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco; Oficial da Reserva pelo CPOR/R; Entusiasta da filosofia política e editor do perfil @ocontribuinteoriginal no Instagram.

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