Declaração

Ex-presidente do TCU diz que a pandemia alimentou o vírus da corrupção

José Múcio Monteiro avaliou, em entrevista ao SBT no último domingo, 27 de dezembro, que os gestores públicos têm se aproveitado do combate à Covid-19 para realizar desvio de recursos dos cofres públicos.

Em entrevista ao Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) no último domingo, 27 de dezembro, o ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) José Múcio Monteiro avaliou que os gestores públicos têm se aproveitado do combate à Covid-19 para realizar desvio de recursos dos cofres públicos.

“Esse vírus chegou aqui e retroalimentou um velho conhecido nosso, que vem do império, que é o vírus da corrupção. Esse é brasileiro, fala todos os sotaques, fala com o meu sotaque, fala com o de vocês. Esse é um velho vírus. O mal intencionado não tem partido, ele acha que roubar dinheiro público não faz ladrão, que ele não está roubando de pessoa física”, afirmou Múcio.

Segundo informações do site Congresso em Foco, o ex-presidente vai se aposentar nesta quarta-feira e promete deixar o trabalho público para cuidar da família. Ainda de acordo com o site, o TCU já abriu mais de 170 processos para checar a regularidade dos gastos desde o início da crise sanitária no país.

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O ex-presidente também afirmou que até os deputados e senadores sugeriram, segundo ele, o “liberou geral”.

“É para comprar respirador? Libera qualquer preço. É pra comprar máscara, libera qualquer preço, avental, remédio… Não!” O ministro contou que o tribunal lançou um programa chamado Coopera e que todas as ações relacionadas à pandemia estão sendo analisadas de maneira separada. “Todos serão fiscalizados. Alguns serão chamados a posteriori achando que foram esquecidos ou que passaram desapercebidos”, explicou.

Múcio Monteiro disse que a corte não deve abrir mão de seu papel e vai cobrar com rigor o cumprimento do teto de gastos públicos deste ano, mesmo com os desarranjos provocados nas receitas e nas despesas com a pandemia de covid-19. Múcio comparou a possibilidade de relaxamento do teto a uma traição e diz que não há espaço para exceções quando se deve cumprir uma norma constitucional.

“Pode ser até que, se você fizer uma análise política e ache normal, mas os técnicos não acham isso normal. O ministro Bruno Dantas, inclusive, já se pronunciou sobre isso, inclusive o ministro da economia, né? Se isso for permitido uma vez, qual é a autoridade que você tem pra dar que não seja permitido para sempre? Aí perde a finalidade, cada um vai ter um modelo de prestação de conta na sua cabeça”, declarou.

Confira a entrevista na íntegra: 

 

Da redação do Portal com informações do Site Congresso em Foco 

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