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Bolsonaro quer o povo armado e chama Doria de “calcinha apertada” por decretar fase vermelha em SP e viajar para os EUA

Presidente fez declarações durante transmissão nas redes sociais que durou mais de uma hora, na última quinta-feira, 24 de dezembro.

Bolsonaro usou as redes sociais por meio de uma live de mais de uma hora de duração na noite da véspera de Natal, quinta-feira (24), para defender o ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), e indiretamente, questionar o governador João Doria (PSDB-SP), e reafirmar o pensamento de que deseja a população armada.

Na ocasião, citou armas, cloroquina, queimadas na Amazônia, imprensa, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde), o comunismo, o PT, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e ONGs (organizações não-governamentais) e falou de Venezuela, de Cuba e de patriotismo.

A live teve participação do artista plástico Romero Britto, que disse que um quadro que fez com o rosto de Bolsonaro era “priceless” (impagável, em português).

Bolsonaro
Live de Natal do presidente Jair Bolsonaro – Foto: Reprodução/Facebook

Um assunto bastante polêmico abordado na transmissão e que reverberou na mídia durante esta semana foi o governador João Doria, adversário de Bolsonaro.

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O presidente criticou a viagem que Doria fez a Miami logo após endurecer as medidas restritivas em São Paulo por causa do agravamento da pandemia de Covid-19. Em um dos momentos em que atacou o rival, defendeu que as pessoas se armassem.

“Quero o cidadão de bem armado. O povo armado acaba esta brincadeirinha de ‘vai ficar todo mundo em casa e eu vou passear em Miami’. Ah, pelo amor de Deus, oh, calça apertada, calcinha apertada, isso não é coisa de homem, porra. Fecha São Paulo e vai passear em Miami. Que negócio é esse, pô? É coisa de quem tem calcinha apertada. Isso é um crime”, disse Bolsonaro.

STF e Ministro Kassio Nunes

O presidente tem sido questionado desde a semana passada, quando seu indicado para o STF votou no julgamento em que a corte decidiu permitir que o Estado imponha restrições a quem não tomar vacina contra Covid-19.

As cobranças aumentaram no domingo, 20 de domingo, depois que Kassio Nunes Marques suprimiu um trecho da Lei da Ficha Limpa que determinava que o prazo de oito anos de inelegibilidade começava a ser contado após o cumprimento da pena.

O encaminhamento dado por Kassio foi alvo de críticas de movimentos de defesa da Ficha Limpa, que viram na decisão desmonte da lei e estímulo à corrupção.

“Quanto mais lei se faz, né… tudo que é abuso, é demais, atrapalha. Lei demais atrapalha. Mas, tudo bem, ele não acabou com a Lei da Ficha Limpa não. Sem querer defender o ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes. Repito, ele definiu a questão apenas de início da contagem do tempo da inelegibilidade”, afirmou Bolsonaro na transmissão.

Bolsonaro citou críticos que dizem que não votarão mais nele em 2022 por causa da indicação de Kassio.

“Paciência. Eu lamento. Não posso obrigar você a votar em mim, se eu vier candidato no futuro, não sei. Você é dono do seu voto”, disse o presidente.

Bolsonaro disse querer indicar pessoas com o mesmo perfil de Kassio Nunes Marques.

“O outro que eu vou indicar é o padrão dele. Pode ter certeza disso”, disse.

“Indiquei dois [ministros do STF]. Alguns dizem que eu devo disputar a reeleição. Se for reeleito, mais dois. São quatro. Você passa a ter gente que pensa como você –porque dentro do Supremo também tem gente que atira para tudo o que é lado, mais à esquerda, mais à direita, mais para o centro–, mas mais alinhado com o meu perfil”, afirmou Bolsonaro.

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