Economia

Artigo: “Crash” de 29, uma crise do capitalismo?

“Não é crime ser ignorante em economia, que é, afinal, uma disciplina especializada e que a maioria das pessoas considera uma ‘ciência sombria’. – Murray Rothbard

Por: Jason Medeiros

“Não é crime ser ignorante em economia, que é, afinal, uma disciplina especializada e que a maioria das pessoas considera uma ‘ciência sombria’. Mas é totalmente irresponsável ter uma opinião forte e vociferante em assuntos econômicos, permanecendo neste estado de ignorância.” – Murray Rothbard

É lugar comum afirmar que a Grande Depressão, maior crise econômica da história dos Estados Unidos da América, foi uma tribulação do capitalismo, causada pela Quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque em 24 de outubro de 1929.

O livro História Geral de Cláudio Vicentino (amplamente utilizado no Brasil pelos professores para instruir os alunos do ensino médio) abre o assunto com o título “a crise CAPITALISTA de 1929” e o encerra para dar início ao surgimento, no período entre guerras, das ideologias totalitárias e anticapitalistas, Fascista na Itália e Nazista na Alemanha, “linkando” os dois assuntos como sendo o segundo uma consequência prática do primeiro, e o primeiro um consequência da crise proporcionada pelo sistema econômico capitalista.

Crise de 29
Crise de 29. Foto Ilustração

Antes de prosseguirmos, irei utilizar os conceitos dicionarizados de capitalismo e socialismo somente para fim pedagógico, já que, por serem extremamente simplificados são também insuficientes em alguns casos, quando não equivocado de fato (como é o caso do socialismo que não se trata exclusivamente de um modelo econômico).

  • Capitalismo “é um sistema econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção e sua operação com fins lucrativos”;

 

  • Socialismo “refere-se a qualquer uma das várias teorias de organização econômica que advogam a administração e propriedade pública ou coletiva dos meios de produção e distribuição de bens, propondo-se a construir uma sociedade caracteriza pela igualdade de oportunidades e meios para todos os indivíduos, com um método isonômico de compensação”.

 

Tomando como base as afirmações e definições acima, teria sido a irracionalidade capitalista representada pelo “Crash” de 29 o real responsável pelo posterior período de profunda crise econômica? Senão vejamos:

Em 1921, nos EUA, houve uma severa crise econômica que durou pouco mais de um ano, e que é deixada de lado por não ter gerado consequências tão duradouras como as de 1929. Em 21, o desemprego saltou de 5% para 12%; a economia contraiu em 17%; e os preços despencaram mais de 10%. Diante de cenário tão catastrófico o presidente à época Warren G. Harding permitiu que os salários acompanhassem a queda de preços, o que estabilizou os custos de produção; cortou os gastos do governo em 50%; diminuiu o imposto de renda para todos os extratos sociais; e ainda reduziu a dívida governamental em 33%.

Já o Crash de 29 teve origem na expansão de crédito feita pelo Federal Reserve (Banco Central Estadunidense) em conjunto com o sistema bancário de reservas fracionárias ao longo de toda a década de 20. Essa expansão teve como consequência a explosão no mercado de ações, gerando uma euforia especulativa. Quando essa expansão de crédito foi interrompida em decorrência de pressões inflacionárias, a euforia cessou abruptamente, e iniciou-se o processo de correção.

O governo de Herbert Hoover fez o exato oposto do seu antecessor: aumentou impostos e gastos; adotou políticas de controle de preços e salários; aumentou as tarifas de importação (o que gerou uma guerra comercial a nível internacional); e estimulou a organização sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

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Em 1933, o governo de Franklin Roosevelt manteve as velhas políticas intervencionistas de Hoover por meio do novo pacote de medidas conhecido como New Deal, o que prolongou a crise até o final da Segunda Guerra Mundial em 1946, momento em que ocorreu uma acentuada redução de gastos, impostos e regulamentações governamentais.

Conclusão, uma simples (ou não tão simples) queda no valor das ações na bolsa, por si só, não gera uma crise econômica prolongada. Em 1987, por exemplo, a bolsa americana contraiu 22% e não houve crise. Se, em 29, o governo americano tivesse permitido ampla liberdade de preços e salários, como em 21, e não expandido as políticas intervencionistas (socialistas) na economia de mercado (capitalista), como fez, a história teria sido perfeitamente distinta, para melhor é claro.

“Aqueles que estão convencidos de que o governo tem que ‘fazer alguma coisa’ quando a economia está com problemas, quase nunca se preocupam em descobrir o que acontece quando o governo intervém. O próprio fato de ainda nos lembrarmos da quebra do mercado de ações em 1929 é notável, já que houve uma quebra semelhante em 1987, que a maioria das pessoas há muito já esqueceu. Qual foi a diferença entre essas duas quedas do mercado de ações? O crash da bolsa de 1929 foi seguido pela depressão mais catastrófica da história americana, com cerca de um quarto de todos os trabalhadores americanos desempregados. O crash da bolsa de 1987 foi seguido por duas décadas de crescimento econômico com baixo desemprego. Mas essa era apenas uma diferença. A outra diferença foi que o governo Reagan não interveio na economia após a quebra do mercado de ações em 1987 – apesar de muitos protestos na mídia de que o governo deveria ‘fazer alguma coisa’”. – Thomas Sowell

Jason de Almeida Barroso Medeiros, 26 anos, bacharelando em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco; Oficial da Reserva pelo CPOR/R; Entusiasta da filosofia política e editor do perfil @ocontribuinteoriginal no Instagram.

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