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Artigo: Medo – Novo Fomentador da Fraternidade Universal?

O mundo ocidental parece-me viver sob o domínio de ditadores sociológicos. Seus conceitos se imiscuíram em áreas como Cultura e Política para exercer domínio sobre o máximo possível de pessoas. E suas táticas seguem funcionando com muita gente.

Parece-me que o contemporâneo nível de desenvolvimento da capacidade de refletir sobre regras tradicionalmente impostas não nos tornou pessoas mais éticas. Mas há um ponto interessante aqui.

Muita gente comprou a ideia de que, por exemplo, as chamadas minorias têm hoje mais direitos que outrora. Não faltam indivíduos alegando que mulheres e negros, por exemplo, estão agora em melhores condições em todas as áreas da vida.

Aparentemente pode parecer que sim. Todavia, só porque algo mudou na aparência não significa que na essência, idem.

Homossexuais, negros e mulheres se tornaram moeda ideológica há um tempo considerável. A sociedade não evoluiu para incluí-los na posição de respeito que pessoas de tais grupos queriam. O que houve foi outro fenômeno. O que evoluiu foi o Medo.

Hoje em dia é grande o medo de responder processo por racismo, homofobia, gordofobia, misoginia, transfobia, etc. E ainda existe o receio de ter a reputação seriamente abalada pela cultura irresponsável do cancelamento.

Mas na mente dos indivíduos reina o domínio da própria razão. Dentro de cada um ainda há espaço para pensar o que se quer. E ali dentro existem histórias de vida e experiências diferentes fundamentando a conceituação de pessoas e coisas.

Como um todo, o mundo ocidental parece-me viver sob o domínio de ditadores sociológicos. Seus conceitos se imiscuíram em áreas como Cultura e Política para exercer domínio sobre o máximo possível de pessoas. E suas táticas seguem funcionando com muita gente.

Pessoas demais aceitaram as ideias de progresso desses pensadores. Por isso o acesso mais democratizado a direitos, na história, é sempre entoado por alguém nos quatro cantos dos mundos real e cibernético.

Nesse ponto do meu texto é plausível que o leitor confirme o que digo. No entanto, pode ser que ainda ignore a problemática central que abordo.

Talvez você ache que não vale a pena falar sobre os meios quando os fins parecem ajudar muita gente. O ponto aqui não são os resultados: é o meio utilizado para tal.

Se consideramos os fins das coisas justificados pelos meios, quem prevalece? A sede de poder sobre os outros? A determinação do pensamento alheio? O instinto? A passividade de um rebanho diante do perigo representado por um lobo?

E para onde vai a Ética? O Medo vale mesmo como arma de estabelecimento do respeito?

É correto impor comportamentos aos outros se a finalidade parecer-se com as melhores intenções? Pergunto-me: se muitos nunca aceitaram essa postura dos próprios pais, por que a rotulam como positiva quando ela vem de outras vozes? Penso que é por causa da grande relativização moral, à qual agrego o adjetivo de seletiva.

Hoje um jovem sabe que nem todas as ruas levam a sua casa, ao mesmo tempo em que afirma que todas as religiões levam a Deus. Um adolescente justifica para si mesmo a desonestidade nas provas escolares, mas não a tolera os políticos envolvidos com recebimento de propina.

Faz-nos extrema falta um exercício ativo de reflexão atualmente. Mas a luta pela sobrevivência é tudo o que move muitos de nós. Também penso às vezes que as excessivas distrações da web roubam qualitativamente nossa capacidade de pensar.

Um olhar mais apurado na história do desenvolvimento de grandes nações oferece pelo menos uma pista interessante. A ditadura na política ou nas ideias nunca fez florescer o melhor de nós na moralidade, na política ou em qualquer outra coisa.

Deveríamos, por isso, olhar para certos parâmetros de progresso da fraternidade humana de uma perspectiva bem mais inquiridora.

Penso que já passou da hora de mergulharmos numa profunda busca do real significado de certos discursos ideológicos tidos como verdade até agora. Graças a Deus eu sei que alguns o farão em algum ponto de suas vidas. Apesar disso muitos outros continuarão como eternos surfistas no mar da vida.

Por: Sayonara Andrade
Contato: [email protected]

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