Suspeitas

PSL é suspeito de ter candidaturas de fachada para atingir cotas, diz Folha

A análise de dados tabulados pelo Movimento Transparência Partidária mostra que o partido direcionou mais de 80% dos recursos públicos para candidatos que não conseguiram ser eleitos.

As candidaturas laranjas do PSL em 2018, quando ainda era considerada um partido ‘nanico’, parece ter influenciado nas eleições posteriores.

Um grupo de quase 200 candidatos do PSL que receberam menos de 100 votos declararam ter recebido ao menos R$ 10 mil de verba do partido, mas não registrou até agora nenhum gasto de campanha.

De acordo com uma reportagem da Folha que comparou a situação da legenda do deputado Luciano Bivar (PSL) com outros partidos, constatou que a sigla é líder entre as 33 legendas que reúne fortes suspeitas de candidaturas apenas de fachada.

Do total de candidatos que receberam ao menos R$ 10 mil e poucos votos, 79% são mulheres e 50%, negros. Os índices são bem distantes do quadro geral de candidatos no país.

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A análise de dados tabulados pelo Movimento Transparência Partidária mostra que o partido direcionou mais de 80% dos recursos públicos para candidatos que não conseguiram ser eleitos.

É o caso de Jô Pimenta, inscrita para concorrer a uma vaga de vereadora em São João de Meriti (RJ). Sua prestação de contas feitas até agora mostra que a sua única receita foi uma transferência eletrônica de R$ 110 mil recebida diretamente do diretório nacional do PSL no dia 11 de novembro.

Até o momento, não há nenhum centavo de gasto de campanha declarado. Em seu perfil no Facebook, ela diz ser agente administrativa na prefeitura da cidade. Jô Pimenta teve apenas 7 votos, ficando em uma das últimas posições na corrida, com fortes sinais de não ter feito campanha de fato.

Mesmo que candidatos como Jô Pimenta não declarem nenhum gasto até o prazo final e o dinheiro seja devolvido aos cofres públicos, como manda a lei nesses casos, a repetição de situações como essa também representa uma burla às regras de estímulo à participação das mulheres na política.

Desde 2018, os partidos são obrigados a distribuir a verba pública de campanha proporcionalmente ao número de candidatas que lançar, nunca em patamar inferior a 30%. A partir das eleições deste ano, a Justiça também incorporou à essa exigência a contemplação das candidaturas negras.

PSL nas eleições 2020:

R$135.694.992,06
Receita de verba pública eleitoral declarada por candidatos do partido

R$113.575.476,33
Receita declarada por candidatos derrotados

R$16.594.454,33
Verba declarada por candidatos eleitos ou que foram para o 2º turno

Resposta

Em nota, o PSL ressaltou que Luciano Bivar tem dito que apenas os recursos do fundo eleitoral não são suficientes para garantir o êxito eleitoral.

“Até porque são recursos que chegam apenas durante a campanha. Outros fatores, como emendas parlamentares e a própria presença em postos de comando estaduais e municipais são muito mais eficazes para o bom desempenho eleitoral, por abrangerem períodos mais longos de atuação política. Por isso, na essência, a presença no poder muitas vezes é mais eficiente do que apenas os recursos eleitorais”, afirmou o partido.

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