Declaração

“Sou daltônico, todos têm a mesma cor”, diz Bolsonaro

Afirmação ocorreu no Dia da Consciência Negra. Presidente não citou o episódio que resultou na morte por espancamento de Beto, homem negro de 40 anos.

No Dia da Consciência Negra no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), fez uma publicação nas redes sociais, mais longa do que o habitual, falando sobre diversidade de raça. “Como homem e como Presidente, sou daltônico: todos têm a mesma cor”, escreveu.

Na postagem, no entanto, o mandatário não citou o episódio ocorrido em uma loja da rede Carrefour em Porto Alegre (RS), onde João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, foi espancado até por um policial militar e um segurança da loja.

O caso provocou revolta e críticas por todo o país, mas Bolsonaro classificou a luta antirracista como “grupos políticos” que manipulam.

“Não nos deixemos ser manipulados por grupos políticos. Como homem e como Presidente, sou daltônico: todos têm a mesma cor. Não existe uma cor de pele melhor do que as outras. Existem homens bons e homens maus. São nossas escolhas e valores que fazem a diferença.”, escreveu o presidente, e continuou:

“Aqueles que instigam o povo à discórdia, fabricando e promovendo conflitos, atentam não somente contra a nação, mas contra nossa própria história. Quem prega isso, está no lugar errado. Seu lugar é no lixo!”.

Na mesma publicação, Bolsonaro exaltou a diversidade cultural e de raça no Brasil e disse que “O Brasil tem uma cultura diversa, única entre as nações. Somos um povo miscigenado. Brancos, negros, pardos e índios compõem o corpo e o espírito de um povo rico e maravilhoso. Em uma única família brasileira podemos contemplar uma diversidade maior do que países inteiros.”

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Hamilton Mourão diz que ‘no Brasil não existe racismo’

O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, afirmou na última sexta-feira, 20 de novembro, data em que é lembrado o Dia da Consciência Negra, que no Brasil “não existe racismo”.

Mourão fez a declaração e classificou de “lamentável” a morte de João Alberto Silveira Freitas, cidadão de 40 anos que foi espancado e morto por dois seguranças em um supermercado no estado do Rio Grande do Sul. O vice-presidente também disse que o caso é de uma “segurança totalmente despreparada”.

“Lamentável, né? Lamentável isso aí. Isso é lamentável. Em princípio, é segurança totalmente despreparada para a atividade que ele tem que fazer”, afirmou Hamilton Mourão.

Questionado pelos jornalistas se o assassinato do homem não teria algum motivo racial. Mourão fez uma comparação com os Estado Unidos da América.

“Eu digo para você com toda tranquilidade: não tem racismo. Eu digo isso para vocês porque eu morei nos Estados Unidos. Racismo tem lá. Eu morei dois anos nos Estados Unidos. Na minha escola, que eu morei lá, o pessoal de cor, ele andava separado. Eu nunca tinha visto isso aqui no Brasil”, declarou.

Na noite de quinta-feira, 19 de novembro, João Alberto foi espancado no estacionamento do supermercado Carrefour. De acordo com informações do G1, dois suspeitos foram presos em flagrante. Um dos envolvidos no ato era policial militar.

Em nota, o supermercado disse que lamenta o caso e que tomou todas as providências para que os suspeitos sejam punidos conforme a lei.

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