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Artigo: A Insensatez da Direita nas Eleições Municipais

A vitória da esquerda não é tanto o mérito de ela ser o melhor para o município do Recife. Seu triunfo tem estreita relação com a falta de comunicabilidade coerente da direita para com os eleitores.

O segundo turno das eleições municipais do Recife surpreendeu. Se dependesse das últimas pesquisas de intenção de voto, direita e esquerda iriam competir entre si no segundo turno.

O que se viu, no entanto, passou longe disso. O eleitor escolheu ter Marília Arraes e João Campos rivalizando para ver quem entra pela porta da frente do paço municipal.

Os nomes diferem, contudo, há muito mais afinidade entre PT e PSB do que supõem a maioria dos cidadãos. As duas siglas só diferem em algumas ênfases na implementação de certas políticas públicas. Tal fato é realidade bem comum nas ideologias de esquerda no país.

Sem embargo, despeito de quem vença o pleito no próximo dia 29 de novembro, nada indica radical mudança na gestão prática da prefeitura de Recife.

Toda longa permanência no poder causa desgastes naturais. Por isso é igualmente esperado que muitos eleitores anseiem por mudanças. Afinal, só em Estados totalitários mostra-se uma confiança popular unânime em torno da liderança política da situação.

Se é assim, então, por que o recifense escolheu duas chapas de esquerda para disputar o segundo turno?

A vitória da esquerda não é tanto o mérito de ela ser o melhor para o município. Seu triunfo tem estreita relação com a falta de comunicabilidade coerente da direita com os eleitores.

A direita pernambucana parece que não teve um nome realmente forte para a disputa majoritária deste ano. Muito menos apresentou propostas de peso que captassem a atenção dos pernambucanos.

Por aqui a direita teve a grande chance de explorar os pontos fracos da esquerda. Se o fizesse comprometidamente poderia ter enviado ao segundo turno um projeto de governo com positivas mudanças para o futuro imediato. Mas não agiu assim.

Pulverizou-se em vários nomes. Estes, aparentemente, achavam-se indestrutíveis. Cada um julgava que, sozinho, quebraria a hegemonia da esquerda com seus quase 20 anos de poder no Estado. Perderam eles. Perdemos todos.

Perdemos a possibilidade de conhecer outras formas de pensar a política pernambucana. E a própria Democracia também perdeu para a arrogância dos que queriam fazer um protagonismo político solitário.

Se muitas vezes a política é efetivada com base em alianças, a direita recifense tende a pensar de maneira antagônica. Ela não se une com seus iguais.

Seria muito enriquecedor ver um segundo turno com projetos políticos racionais e inovadores competindo entre si. Nosso povo seria abençoado com a oportunidade de fazer sua escolha num contexto verdadeiramente democrático. Veríamos duas formas diferentes de pensar e executar o futuro.

Dessa forma, a despeito de que candidato o eleitor preferisse, o nível da escolha seria diferente. Haveria mais robustez no jogo político do ponto de vista de viabilizar o ambiente democrático.

A direita foi inábil e imprudente ao não fazer bom uso dos espaços legados pelos equívocos naturais da atual gestão. Fez uma oposição rasa, desconexa e irrelevante. O resultado de tal irresponsabilidade nos será agora assistir a um segundo turno novelesco em Recife. E o resumo do enredo será  a história de dois primos que lutam entre si, teimosa e energicamente, pelo poder.

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