Artigo

Artigo: Ênfase Republicana ou Manipulação nas informações governamentais?

Talvez você pergunte: "É possível fazer Política sem as meias verdades? E como estimular o povo a votar, mesmo estando ele receoso da pandemia? A participação nas eleições não é fundamental para o país?".

A poucos dias das eleições boa parte da população se pergunta se a pandemia acabou. Há quem alegue que o pleito foi “a cura” para o Coronavírus. Não deixa de ser hilário que pareça que foi mesmo. De repente a quantidade de vítimas letais ou não do vírus chegou perto de descaracterizar a pandemia na prática.

Todos os políticos afirmam se preocupar com a saúde pública. Entretanto, parece que os representantes brasileiros se ocupam muito mais com a própria continuidade no poder.

As lideranças políticas tem dito que não há esse risco todo em sair de casa para votar no próximo domingo. É só impressão, ou elas omitem a obviedade de que o risco de exposição a uma enorme quantidade de carga viral nas zonas eleitorais também pode nos adoecer?

Uma segunda onda da pandemia ameaça o mundo. Em alguns países dá-se a impressão de que ela já chegou.

A maioria da nós atribui respeito supremo aos chamados dados oficiais. Mas, e se a realidade dos fatos puder dialogar cara a cara com as estatísticas? De quem seria coerente tomarmos partido?

É nesse ponto que convido meus leitores a uma reflexão.

Penso que não poucas vezes deixamos as declarações oficiais pensarem por nós. Ignoramos, ingênua ou conscientemente, que uma infinidade de assuntos pode ser muito bem manipulada.

A eficiente manipulação traz “um kilo de verdade diluída em mil litros de meias verdades”. Certa vez ouvi alguém declarar que uma meia verdade é uma mentira inteira. Na Política, penso eu, uma meia verdade torna-se uma mentira completa.

Talvez você pergunte: “É possível fazer Política sem as meias verdades? E como estimular o povo a votar, mesmo estando ele receoso da pandemia? A participação nas eleições não é fundamental para o país?”.

Bem, podemos fazer pelo menos um questionamento aqui.

No cerne da informação existe o poder da ênfase. E uma Ênfase Republicana difere da Manipulação, especialmente se tratando de dados oficiais. O enfoque que chamo de republicano existe quando o dado é desprovido da malícia que põe em evidência os interesses secundários de quem o emite.

Você poderia indagar: “A partir da perspectiva de quem é dada a diferença entre ênfase republicana e manipulação?”. Vejamos isso também.

Enfatizar responsavelmente um aspecto não é mera estratégia utilitarista (onde os fins justificam a “felicidade” comunitária). Ao contrário: é dar ao outro um conhecimento junto com a possibilidade de implementá-lo com a devida autonomia.

Tem autoridade política reconhecida quem faz boa ponte entre os valores pessoais e os de seu partido. A substituição do poder da ênfase republicana pelo poder da manipulação não raramente é fruto de uma troca.

O gestor publico troca os próprios valores morais por outra coisa. As convicções pessois são substituídos pela conveniência mais geral e lucrativa (economicamente) para a maioria relevante de membros de uma sigla ou aliança partidária.

Mas, retomando a questão das eleições, não é utopia acreditar que os governos possam ser transparentes ao repassar informações ao cidadão.

Graças a Deus a letalidade inicial da doença no país não tem sido repetida. A despeito disso, ninguém pode dizer com segurança quem de nós não corre o risco de ter que ser internado numa UTI pró Covid-19.

Esse artigo não é para desestimular você a deixar de visitar sua zona eleitoral no próximo 15 de novembro. É para fazê-lo meditar no seu direito legítimo à informação não manipulada.

Uma séria tomada de consciência desse fato tem potencial para grandes mudanças. Recomeçar a pensar por si mesmo julgo ser a maior delas.

Tomar posse de um direito real não nos credencia a sair gritando nas ruas. Muito menos nos autoriza a destruir o patrimônio público a pretexto de se fazer ouvir. No entanto, a gente até pode sair à rua, mas, primeiro, a gente muda por dentro, a partir de nossas ações práticas e cotidianas.

Numa transformação de postura aceitamos fazer certos questionamento. Por exemplo: passamos a avaliar melhor as estatísticas. Observamos as entrelinhas relativas ao momento em que elas são dadas. Procuramos prestar atenção tanto ao dito quanto ao não dito (indagamos: “O que não foi dito, e por quê?”).

Não podemos continuar tão bem familiarizados com o incessante desprezo político a nossa capacidade de pensar. Acredito que o acesso à informação de qualidade é um direito básico de qualquer pessoa num estado democrático de direito. Isso precisa entrar de vez na nossa compreensão e nunca mais sair.

Deixe seu comentário

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
Enviar Mensagem
Entre no Grupo de WhatsApp do Portal