Divergência

”Nunca advogamos por lockdown nacional”, diz OMS

Afirmação de emissário da organização levou veículos de comunicação a questionarem o posicionamento da entidade, que influenciou líderes a adotarem a medida restritiva em vários lugares do mundo.

O Dr. David Nabarro, emissário da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou, em entrevista realizada ao site americano The Spectator, em outubro que “nós, na Organização Mundial da Saúde, não defendemos lockdown como o principal meio de controle desse vírus”, e apontou vários problemas econômicos causados pela medida de restrição em vários países do mundo.

A declaração de Nabarro vem em meio a divergências políticas sobre o lockdown. A própria OMS chegou a recomendar o meio como forma de combater o vírus. Vários líderes mundiais foram contra.

No Brasil, por exemplo, o presidente Jair Bolsonaro enfrentou uma “batalha” com governadores sobre medida restritiva adotada em alguns estados brasileiros para conter a contaminação do coronavírus.

“Basta olhar para o que aconteceu com a indústria do turismo, por exemplo, no Caribe ou no Pacífico, porque as pessoas não estão tirando férias. Veja o que aconteceu aos pequenos agricultores em todo o mundo porque seus mercados foram prejudicados. Veja o que está acontecendo com os níveis de pobreza. Parece que podemos muito bem ter uma duplicação da pobreza mundial no próximo ano. Parece que podemos ter pelo menos uma duplicação da desnutrição infantil porque as crianças não estão recebendo refeições na escola e seus pais, em famílias pobres, não têm condições de pagar”, listou o emissário da ONU.

Nabarro pede aos líderes mundiais que parem de usar o lockdown como método de controle da doença.

“E, portanto, realmente apelamos a todos os líderes mundiais: pare de usar o lockdown como seu método de controle primário, desenvolva sistemas melhores para fazê-lo, trabalhe em conjunto e aprenda uns com os outros, mas lembre-se — lockdowns têm apenas uma consequência que você nunca deve diminuir, e isso está tornando as pessoas pobres muito mais pobres.”

A entrevista levou diversos veículos e cientistas a questionarem a OMS por posicionamentos anteriores e que subsidiaram decisões de líderes nacionais a adotarem o lockdown como principal forma de conter a disseminação do vírus.

A OMS nunca advogou por lockdowns nacionais como principal meio de controle do vírus. O Dr. Nabarro estava repetindo nosso conselho aos governos para “fazer de tudo”. Governos, empregadores, comunidades devem aplicar um pacote de medidas comprovadas de saúde pública que sabemos serem eficazes para prevenir a transmissão, incluindo higiene das mãos e respiratória, distanciamento físico, uso de máscara, ficar em casa se estiver doente, etc. Sistemas para teste, isolamento, rastreamento e quarentena, etc. As medidas para controlar a COVID-19 dependem das avaliações de risco locais. As restrições de movimento podem estar entre uma série de medidas que os governos podem considerar em certas áreas geográficas. Se os aglomerados e surtos aparecerem, eles devem ser retardados e então suprimidos prontamente e é por isso que restrições de movimento localizadas e direcionadas, implementadas em conjunto por atores locais e autoridades nacionais, são necessárias de tempos em tempos, informou a organização em carta enviada ao Radar Econômico

Ver mais: 

>> Artigo: Globalização, Globalismo e OMS

 

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