Polêmica

Artigo: O Papa pecou?

Será que o sacerdote argentino escolheu contestar um polêmico dogma religioso? Sua simpática fala pareceu mesmo um precedente de contestação num ponto teologicamente importante dentro do Catolicismo.

Cristianismo, Judaísmo e Islamismo tem seus fundamentos baseados em dogmas desde sempre. Dogma é uma espécie de verdade incontestável que habita uma crença religiosa.

Sempre existe uma ala mais conservadora e outra mais progressiva dentro de qualquer tipo de Fé. Entretanto, são os dogmas que formam o lastro teológico de grandes religiões históricas.

Há poucos dias divulgou-se uma entrevista na qual o líder máximo do segmento cristão de orientação católica falou com simpatia das uniões homoafetivas. Quero deter-me, não no que foi dito pelo Papa, mas sim, no provável significado de sua postura.

Será que o sacerdote argentino escolheu contestar um polêmico dogma religioso? Sua simpática fala pareceu mesmo um precedente de contestação num ponto teológico importante.

Todos os seres humanos merecem respeito. Independente de orientação sexual, pessoas de mesmo sexo escolhem viver juntas há bastante tempo. Esse não é o ponto aqui.

Nem mesmo partindo da cúpula me parece possível criar uma revolução teológica de gênero na Igreja. Simplesmente não dá para defender um outro conceito de família (que não seja homem e mulher) sem alterar essencialmente a compreensão católica da Bíblia.

Meu leitor dirá que tal renovação de entendimento já acontece na prática de muitas paróquias. Direi que tem razão.

Em seu ofício um sacerdote pode enfatizar o acolhimento dos homossexuais ao invés da desobediência bíblica na qual incidem. Contudo, todo católico sabe (ou deveria saber) o posicionamento final da Igreja sobre a união afetiva entre pessoas do mesmo sexo.

É por isso que a manifestação pública do Papa me pareceu, a princípio, estranha. Mas concluí que não é.

Sem dúvidas Francisco assimila bem o peso dos dogmas que sua religião possui. Mas se parece discordar de um dos mais polêmicos deles, seu comportamento parece-me apenas uma estratégia política com fim diverso do religioso.

Não tenho nada contra o Papa, nem contra os homossexuais. Mas se eu fosse gay, e católica, me sentiria ofendida, enganada e frustrada.

A não poucos homossexuais do mundo o Pontífice deu a entender que o Catolicismo abrirá mão do conceito bíblico de família (homem e mulher). É impossível. Motivo: trata-se de abrir mão de um dogma.

E esse dogma está escrito num livro milenar que não dá simplesmente para a Igreja substituir.  Então, será que o Papa quis mesmo comunicar às pessoas?

A meu ver Jorge Mário Bergoglio (seu nome de batismo) tem a popularidade na mais alta conta. A consequência imediata de atitudes como essa tende a atribuir cada vez mais peso a outras coisas que ele diz. E o líder religioso comenta até mesmo a Política de outros países.

Não estou dizendo com isso que ele não serve para representar a instituição à qual lidera. Estou dizendo apenas que ele errou. Usando o jargão religioso: parece que o Papa pecou

Bergoglio apoiou a união homoafetiva. Mas por que ele silenciou quando países desrespeitadores dos direitos humanos entraram na ONU pela porta principal? Não pronunciou-se sobre igrejas incendiadas nem peças teatrais que mostram um de Jesus Cristo transexualizado.

Além do mais, Francisco identificou-se tanto com a ideologia de esquerda que ganhou elogios até do presidente de Cuba. Raúl Castro (irmão de Fidel Castro) disse: “Se o Papa continuar nesse caminho, eu vou voltar a rezar e retornar à igreja, não estou brincando!”.

Até mesmo espera-se que um dirigente papal use a influência para promover a união e o amor entre os povos. No entanto, acredito que o futuro delineará com melhores contornos o caráter dos pronunciamentos – ou falta de muitos deles – do Pontífice. 

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