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Um padre, um médium e dois pastores: da Fé ao Crime

O pulsar de espiritualidade que há em nós, tende, na maioria das vezes, a nos inspirar para o Bem. Mas infelizmente sempre existirá gente com capacidade de usar a Fé como arma de destruição.

Um padre, um médium e dois pastores: da Fé ao Crime

Foto: Divulgação

Publicado em 13 de setembro de 2020 - 23:02

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Nos últimos tempos presenciamos pelo menos quatro figuras religiosas que protagonizaram grandes escândalos no país. Temos um padre, um médium espírita, um pastor e uma pastora que foram acusados de condutas ilícitas surpreendentes.

O sacerdote católico, segundo o Ministério Público, tem envolvimento em desvio de quase dois bilhões de reais. O médium é acusado de mais de uma centena de estupros. O pastor, também segundo o MP, recebeu seis milhões ilicitamente e conta como suspeito na Operação Lava Jato. A pastora é investigada como mandante da morte do próprio marido.

Qualquer um que pertença a uma das crenças dos quatro indivíduos poderia dizer “Ele/Ela não me representa” em suas redes sociais. E penso que se alguém o fizesse, estaria certíssimo.

Se você se desaponta com uma religião meramente por causa do péssimo exemplo de alguém que exerce liderança nela, você é superficial. O caminho para a maturidade vai lhe solicitar muito mais do que conclusões apressadas pela vida afora.

Acredito que, a despeito da devoção que se pratique, há pessoas boas e perversas em todo lugar. Empunhar titularidade de cunho espiritual não atesta absolutamente a idoneidade, para todos os fins e efeitos.

Em nossas análises precisamos desaprender a ser rasos. Gente que se aproveita da fé alheia já negociou a própria há muito tempo. Vive é  de um verniz de piedade. Aprendeu a manipular as próprias expressões para tirar, dos outros, algo em seu proveito.

Se alguém nos engana, tendemos a atribuir mais incoerência a nós mesmos do que ao traidor. Geralmente nos recriminamos excessivamente pela falta de discernimento. Não poucas vezes, entretanto, não tivemos ausência de sabedoria: o problema foi a desproporcional malícia do outro.

Ao invés de tornar-nos cético para com o resto do mundo e inaugurar na alma uma máscara de amargura, por que simplesmente não admitimos que gente muito má existe? Por que, ao invés do contato com a injustiça nos tornar mais sábios, escolhemos que nos torne mais duros com todos?

A religiosidade não é construção social: é uma necessidade humana. Alguns a ignoram. Outros, a abandonam. Alguns a praticam.

Esse pulsar de espiritualidade que há em nós, tende, na maioria das vezes, a nos inspirar para o Bem. O respeito ao outro tem a propensão de se desenvolver melhor em consciências que enxergam que a existência transcende o mundo visível.

Infelizmente sempre existirá gente com uma imensa capacidade de usar a Fé como arma de destruição. Que tais exemplos não nos tirem a esperança de encontrar indivídus que querem o melhor para os outros, e investem a vida nesse propósito.

As experiências ruins não deveriam furtar nossa confiança na humanidade. Que a multiplicação da iniquidade alheia não esfrie nosso amor para com os outros, nem nos faça perder a doçura de nossa alma.

 

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