Reconhecimento

FHC diz que reconhece que foi “um erro” a emenda que permitiu reeleição

Ex-presidente disse que seria preferível que um mandato tivesse cinco anos sem direito à reeleição.

FHC diz que reconhece que foi “um erro” a emenda que permitiu reeleição

Fernando Henrique Cardoso foi presidente entre 1995 a 2003. Foto: Renato Araujo/Agência Brasil

Publicado em 8 de setembro de 2020 - 13:54

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Em artigo publicado neste no domingo (6), no Estado de S. Paulo, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, reconheceu que foi um “erro” a aprovação da emenda que tornou constitucional a reeleição para cargos do Poder Executivo. A aprovação se deu em 1997. À época, FHC foi acusado de ter comprado votos favoráveis ao projeto de reeleição. Fernando Henrique foi o primeiro presidente reeleito após a proposta ter sido aprovada.

“Devo reconhecer que historicamente foi um erro: se quatro anos são insuficientes e seis parecem ser muito tempo, em vez de pedir que no quarto ano o eleitorado dê um voto de tipo ‘plebiscitário’, seria preferível termos um mandato de cinco anos e ponto final”, afirmou no artigo.

“Tinha em mente o que acontece nos Estados Unidos. Visto de hoje, entretanto, imaginar que os presidentes não farão o impossível para ganhar a reeleição é ingenuidade”, acrescentou em tom de mea-culpa o ex-chefe de Estado.

Uma reportagem da Folha de S. Paulo publicada no dia 13 de maio de 1997, revelou um suposto esquema de compra de votos para a aprovação da emenda. Em gravações obtidas pelo repórter Fernando Rodrigues, os deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos do Acre (e à época filiados ao PFL, hoje DEM), relataram ter recebido R$ 200 mil em dinheiro para votar a favor da reeleição.

No texto opinativo, FHC retomou ao assunto ao falar do presidente Jair Bolsonaro. Para ele, Bolsonaro não está tão confortável na presidência quanto parece. “É difícil mesmo. De economia sabe pouco; fez o devido: transferiu as decisões para um ‘posto Ipiranga’. Este trombou com a crise, pela qual não é responsável. Não importa, vai pagar o preço: tudo o que era seu sonho, cortar gastos, por exemplo, vira pesadelo, terá de autorizá-los. E tudo o que o presidente fizer será visto pelas mídias, como é natural, como atos preparatórios da reeleição. Sejam ou não”, disse FHC finalizando seu argumento.

 

 

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