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Ex-secretária Camila Barros critica proposta de armar Guarda Municipal: ”Discurso retrógrado”

Para Camila Barros (PSB), que é pré-candidata a vereadora, a valorização da corporação não pode ser sinônimo de armamento e letalidade.

Em pleno 2020, quando vemos casos de letalidade policial aumentar em todo o Brasil e mundo, o armamento da Guarda Municipal do Recife voltou a pautar os debates na cidade, dessa vez com ares eleitoreiros.

Desde o início da pré-campanha vários dos pré-candidatos da direita vêm defendendo que a corporação precisa ser armada e que essa seria uma forma de valorizar o corpo da guarda. Até aqui nada de anormal. A direita sempre defendeu “soluções” retrógradas, simplistas e eleitoreiras para questões sérias e complexas. O que causa estranheza é ver uma pré-candidata, que se diz de esquerda, defender a mesma coisa.

Um estudo brasileiro, apresentado em 2018 pela pesquisadora e diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, mostrou que a letalidade policial no Brasil é 5x maior que a dos EUA, onde negros morrem violentamente sob os joelhos de um policial branco.

De acordo com o Monitor da Violência, o Brasil teve pelo menos 5.804 pessoas mortas por policiais em 2019. No ano anterior, 2018, foram 5.716 mortes – um crescimento de 1,5%.

Na avaliação da ex-secretária de Juventude do Recife e pré-candidata à vereadora da cidade, Camila Barros (PSB), a Guarda Municipal tem papel fundamental na sociedade, mas armá-la não é valorizá-la.

“A guarda tem um papel fundamental dentro da nossa sociedade, que é de zelar e preservar o patrimônio público e que isso é um braço da segurança pública sim e tem que ser reconhecido. Mas a gente não pode acreditar que melhorias pra essa força devem passar pelo armamento, muito menos pela letalidade”, argumenta Camila.

Camila classificou como um equívoco a proposta a la Bolsonaro das pré-candidaturas da velha e da nova direita (que se traveste de vermelho).

“Esse discurso é um discurso muito retrógrado, que está dando coro ao retrocesso e aos desgovernos que temos na instância federal”, afirma Camila. “Então, qualquer pré-candidato ou pré-candidata na cidade do Recife que faz coro a esse tipo de discurso está sendo irresponsável com a vida das pessoas, com a vida das juventudes, principalmente as juventudes negras que mais sofrem com a violência policial”, sentencia Barros, ressaltando que esse tipo de proposta não cabe na cidade do Recife. “Porque vidas importam. Porque Vidas negras importam.”

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