Desculpas

Em entrevista, Lula revela arrependimento em ter protegido o terrorista Cesare Battisti

Segundo Lula, a confissão de Battisti foi uma “frustração” e uma “decepção” para todo mundo da esquerda que havia defendido o italiano.

O ex-presidente Lula (PT) afirmou, em entrevista em canal da plataforma de vídeos Youtube na última quinta-feira (20), que se arrependeu de ter defendido o terrorista italiano Cesare Battisti.

“Hoje, acho que, assim como eu, todo mundo da esquerda brasileira que defendeu Cesare Battisti aqui ficou frustrado, ficou decepcionado. Eu não teria nenhum problema de pedir desculpas à esquerda italiana e às famílias do Battisti.”

Lula afirmou que Battisti enganou muita gente, confessou ter cometido um erro em acolher o italiano e pediu desculpas.

“Não sei se enganou muita gente na França, mas na verdade muita gente achava que ele era inocente. Nós cometemos esse erro, pediremos desculpas.”

O ex-presidente afirma que, em 2010, negou a extradição porque o então ministro da Justiça Tarso Genro acreditava na inocência de Battisti – em 2009, foi Tarso Genro que concedeu o status de refugiado ao italiano, com base nas alegações de perseguição política.

“Você percebe que não foi uma decisão fácil. O Tarso Genro me disse: ‘olha, não dá pra gente mandar ele embora porque ele pode ser detonado na Itália, e ele é inocente’. Toda a esquerda brasileira […] todo mundo defendia que o Battisti ficasse aqui”, disse.

A decisão, diz Lula, gerou oposição de amigos brasileiros, de representantes da esquerda italiana e do então presidente da Itália, Giorgio Napolitano.

“Quando ele é preso e ele confessa, foi uma frustração pra mim, porque ele comprometeu um governo que tinha uma relação extraordinária, ainda tenho, com toda a esquerda italiana, com toda a esquerda europeia. E ele não precisaria ter mentido, pelo menos para quem estava querendo acreditar nele”, afirmou Lula.

Caso Battisti

O italiano Cesare Battisti cumpre prisão perpétua na ilha da Sardenha, no oeste da Itália, por envolvimento em quatro assassinatos no país europeu entre 1977 e 1979. Na época, Battisti integrava a organização de extrema-esquerda e terrorista Proletários Armados Pelo Comunismo (PAC).

Em 1993, Battisti foi condenado pelos assassinatos, mas sempre alegou inocência e se disse vítima de perseguição política.

Na década de 1990, o italiano se refugiou na França, protegido pela política do então presidente socialista François Mitterrand. Em 2004, Battisti fugiu para o Brasil, onde foi detido três anos depois. O Comitê Nacional de Refugiados rejeitou um primeiro pedido de asilo, mas o italiano recorreu ao Ministério da Justiça em 2008, como prevê a legislação brasileira.

Em 2007, a Itália pediu a extradição de Battisti, que foi autorizada pelo STF em 2009. O processo só poderia ser cumprido, no entanto, se houvesse decisão expressa da presidência da República.

Em 31 de dezembro de 2010, o presidente negou a extradição de Cesare Battisti, gerando protestos no Brasil e na Itália.

O governo italiano chegou a contestar o a decisão ao Supremo Tribunal Federal (STF), que negou o pedido por entender que o ato presidencial era soberano. Segundo o STF, apenas uma nova decisão da presidência da República poderia revogar a anterior.

Em 2018, o então presidente Michel Temer revogou a decisão de Lula e, com aval reiterado do STF, determinou a extradição de Battisti.

O italiano, então, fugiu do Brasil, mas foi capturado em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, em janeiro de 2019. Como a entrada no país foi ilegal, a expulsão dele foi requerida pela Itália e acatada pelo governo boliviano.

Dois meses após retornar preso à Itália, Cesare Battisti admitiu envolvimento em quatro assassinatos durante interrogatório feito na prisão pelo procurador Alberto Nobili, responsável pelo grupo antiterrorista da cidade italiana de Milão.

Deixe seu comentário

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com