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Vídeo: “a igreja defende a vida”, diz Dom Fernando Saburido, arcebispo de Olinda e Recife

A mensagem do líder católico foi divulgada na noite do domingo, dia 16, após repercussão dos atos contra e a favor do aborto em garota de 10 anos, no CISAM.

Dom Fernando Saburido, na condição de líder católico e arcebispo de Olinda e Recife, gravou um vídeo no qual divulgou em rede social, na noite de domingo, dia 16 de agosto, contrário ao aborto em uma menina de dez anos, no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), no bairro da Encruzilhada, no Recife, após engravidar vítima de estupro cometido pelo próprio tio.

“Como arcebispo, quero contestar inteiramente essa decisão, a igreja defende a vida em qualquer circunstância. Essa criança tem, sim, condições de sobreviver. Temos visto exemplos bonitos de profissionais da saúde que na pandemia estão salvando vidas e não podemos admitir que outros profissionais procedam desta forma colaborando com a prática da morte”, afirmou Dom Fernando em vídeo.

O arcebispo chega a dizer no final do vídeo que é possível salvar as duas vidas (mãe e feto), ao dizer que pede a Deus que toque na consciência dos profissionais de saúde para que o aborto não aconteça. No entanto, o procedimento já tinha sido realizado, conforme informação passada pelo diretor do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros.

A menina chegou ao Cisam por volta das 16h. Pouco depois de uma hora, o óbito fetal já havia sido induzido, através de medicamentos. Segundo o médico Olímpio Barbosa, diretor da unidade de saúde, o processo de expulsão do feto leva de 12h a 24h. O diretor do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, disse que foi contactado após a decisão da Justiça.

“Recebi uma ligação solicitando ajuda. Me passaram a decisão da Justiça e eu já tinha acompanhado o caso através da imprensa. O que fizemos é o que consta na Lei, que garante o abortamento em caso de estupro. Eu considero, no caso de uma criança de 10 anos que não deseja a gravidez, um ato de tortura”, afirmou.

Após o procedimento, a menina deve retornar ao seu Estado de origem que custeou todas as despesas. A autorização para o aborto legal da garota de dez anos foi dada pelo juiz da Vara da Infância e da Juventude da cidade de São Mateus, Antonio Moreira Fernandes.

No despacho, o magistrado determina que a criança seja submetida ao procedimento de melhor viabilidade e o mais rápido possível para preservar a vida dela e usa a expressão “imediata”. 

As manifestações contra o aborto autorizado pela Justiça teve a presença da deputada estadual Clarissa  Tércio (PSC), o também deputado estadual Joel da Harpa (PP), o casal de políticos; deputado estadual Cleiton Collins e a vereadora Michelle Collins, ambos do PP, além da presença do vereador do Recife, Renato Antunes (PSC) e a ex-deputada estadual Terezinha Nunes (MDB) – todos ligados a religião Cristã, alguns evangélicos e católicos.

Por outro lado e a favor do procedimento na garota, Carol Virgolino, codeputada do Juntas, acompanhada de representantes de entidades de defesa da mulher fizeram ato para que a determinação da Justiça seja respeitado.

Pernambuco

Em nota, a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES) informou que segue a legislação vigente em relação à interrupção da gravidez (quando não há outro meio de salvar a vida da mulher, quando é resultado de estupro e nos diagnósticos de anencefalia), além dos protocolos do Ministério da Saúde (MS) para a realização do procedimento, oferecendo à vítima assistência emergencial, integral e multidisciplinar.

“Em relação ao caso citado, é importante ressaltar, ainda, que há autorização judicial do Espírito Santo ratificando a interrupção da gestação. É importante reforçar, também, que o Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam-UPE) é referência estadual nesse tipo de procedimento e de acolhimento às vítimas. Por fim, ratifica-se que todos os parâmetros legais estão sendo rigidamente seguidos”, diz o comunicado.

Entenda

O caso aconteceu na cidade de São Mateus, no Norte do Espírito Santo, a 215 quilômetros de Vitória, capital do Estado. A Justiça Capixaba autorizou o procedimento na última sexta-feira (14/8) e a criança foi transferida para realizá-lo no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), no Recife.

A jovem teve o atendimento negado na unidade de referência do Estado onde reside, apesar de a legislação prever a interrupção da gravidez em caso de violência sexual, e, por esse motivo, precisou vir a Pernambuco para realizar a interrupção da gravidez.

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