Analfabetos

Brasil: Baixo analfabetismo, mas 11 milhões não sabem ler nem escrever

“Percebemos que chegamos em 2019 com a taxa nacional próxima à meta de 2015. É como se estivéssemos quatro anos atrás”, diz Adriana.

Brasil: Baixo analfabetismo, mas 11 milhões não sabem ler nem escrever

Imagem/ Agência Brasil

Publicado em 15 de julho de 2020 - 17:02

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A taxa de analfabetismo no Brasil aumentou de 6,8% em 2018 para 6,6% em 2019, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de Educação Continuada, divulgada nesta quarta-feira (15). Apesar da queda, que representa cerca de 200.000 pessoas, o Brasil ainda é responsável por 11 milhões de analfabetos. São pessoas com 15 anos ou mais de idade que, de acordo com os critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não conseguem ler e escrever nem uma única nota.

“É uma taxa que vem diminuindo ao longo do tempo”, diz Adriana Beringuy, analista da pesquisa realizada no segundo trimestre de 2019, acrescentando que o analfabetismo está mais concentrado entre os idosos “, já que os jovens são mais instruídos e portanto, eles gravarão um indicador mais baixo “.

Apesar da queda, os dados mostram que 18% dos maiores de 60 anos são analfabetos. Em 2018, eram 18,6% e em 2016, 20,4%.

Plano Nacional

A redução da taxa de analfabetismo no Brasil é um dos objetivos do Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece o que deve ser feito para melhorar a educação no país até 2024, do jardim de infância à pós-graduação. De acordo com a lei, até 2015, o Brasil deveria ter atingido a marca de 6,5% de analfabetismo na população de 15 anos ou mais de idade. Até 2024, essa taxa deverá chegar a zero.

“Percebemos que chegamos em 2019 com a taxa nacional próxima à meta de 2015. É como se estivéssemos quatro anos atrás”, diz Adriana.

Desigualdades

Além das diferenças de idade, a pesquisa mostra que existem desigualdades raciais e regionais na alfabetização no Brasil. A taxa de analfabetismo entre os brancos é de 3,6% entre os maiores de 15 anos. Já na população negra e parda, segundo os critérios do IBGE, essa taxa é de 8,9%. A diferença aumenta entre aqueles com 60 anos ou mais. Enquanto 9,5% dos brasileiros brancos não sabem ler ou escrever, entre pretos e pardos, esse percentual é aproximadamente três vezes maior: 27,1%.

As regiões sul e sudeste apresentam a menor taxa de analfabetismo, 3,3% entre as maiores de 15 anos. Na região centro-oeste, a taxa é de 4,9% e na região norte, de 7,6%. O Nordeste tem o maior percentual de analfabetos, 13,9%.

Entre os maiores de 60 anos, as taxas são de 9,5% no sul; 9,7% no Sudeste; 16,6% no Centro-Oeste; 25,5% no norte; e 37,2% no Nordeste.

A região Nordeste foi a única que apresentou um ligeiro aumento na taxa de analfabetismo entre 2018 e 2019. Entre as mais jovens, a taxa permaneceu praticamente estável com uma variação de 0,03 pontos percentuais. Entre os idosos, a variação foi de 0,33 pontos percentuais.

Segundo o IBGE, 56,2% dos analfabetos (6,2 milhões de pessoas) com 15 anos ou mais de idade vivem na região Nordeste e 21,7% (2,4 milhões de pessoas) no Sudeste.

Anos de estudo

A pesquisa também mostra que, em média, os brasileiros estudam 9,4 anos. Os dados são coletados de pessoas com 25 anos ou mais. Esse número aumentou em relação a 2018, quando, em média, o tempo de estudo no Brasil era de 9,3 anos. Em 2016, era 8,9.

Em relação à cor ou raça, segundo o IBGE, “a diferença foi significativa”. Os brancos estudam, em média, 10,4 anos, enquanto os negros e pardos estudam, em média, 8,6 anos, ou seja, uma diferença de quase dois anos entre esses grupos, mantida desde 2016.

O IBGE considera que, apesar dos avanços, mais da metade do equivalente a 51,2% da população de 25 anos ou mais de idade no Brasil não concluiu o ensino fundamental.

Os dados da PNAD de Educação Continuada do IBGE referem-se ao segundo trimestre de 2019.

Agência Brasil 

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