Polêmica

Bia Doria diz que não se deve doar marmitas às pessoas de rua e causa revolta

Fala da primeira-dama de São Paulo foi dita em entrevista à socialite Val Marchiori. Ministra Damares Alves rebateu dizendo que a população de rua precisa de políticas públicas bem definidas e que é correta a doação de alimentos.

Bia Doria, esposa do governador de João Doria, causou polêmica na última semana ao fazer uma declaração sobre as pessoas em situação de rua em São Paulo. Segundo ela, “não é correto” oferecer alimentos aos moradores de rua. A fala da primeira-dama foi dita em entrevista à socialite Val Marchiori e publicada nas redes sociais na última quinta-feira (3). Bia Doria usou a justificativa que “as pessoas gostam e ficar na rua”.

“Mas olha, falando dos projetos sociais, algo muito importante é assim: as pessoas que estão na rua, não é correto você chegar lá na rua e dar marmita e dar porque a pessoa tem que se conscientizar que ela tem que sair da rua. Porque a rua hoje é um atrativo, a pessoa gosta de ficar na rua”, disse Bia Doria.

Nesse momento de pandemia no Brasil, muitas pessoas e organizações estão fazendo doações de marmita aos moradores de ruas. De acordo com uma pesquisa do mês de janeiro, a população de rua da cidade São paulo cresceu 53%, totalizando 24 mil pessoas. Esse dado, inclusive foi comentado por Bia Doria durante a entrevista. “Muito grande”, comentou a primeira-dama que também é presidente do Conselho do Fundo Social de São Paulo.

No vídeo, a socialite e a convidada falam sobre as ações em favor das pessoas em vulnerabilidade social. Val Marchiori afirma que as pessoas não saem das ruas porque não querem.

“Você estava me explicando e eu fiquei passada. Eles não querem sair da rua porque em um abrigo eles têm horário para entrar, eles têm responsabilidades, limpeza, e eles não querem, né”, declarou Val.

“Não querem”, interrompe Bia. “A pessoa quer, ela quer receber, ela quer a comida, ela quer roupa, ela quer uma ajuda e não quer ter responsabilidade. Então isso tá muito errado, porque se a gente quer viver num país.”, finaliza a primeira-dama.

Após a repercussão negativa do vídeo, Bia Doria disse em nota que a frase tirada do contexto. Segundo ela, os moradores deveriam sair das ruas e irem para abrigos públicos, onde terão acesso a alimentos.

 

Entrevista, Bia Doria diz que não se deve doar marmitas às pessoas de rua e causa revolta
Nota de esclarecimento Bia Doria

 

Críticas

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), Damares Alves foi contra ao posicionamento de Bia Doria. Por meio de nota, ela defendeu que é sim correto doar alimento para as pessoas de rua. A nota foi divulgada na sexta-feira (3). Confira:

“O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) opõe-se veementemente às declarações feitas pela Primeira-dama do estado de São Paulo e presidente do Fundo Social, Bia Doria, em entrevista divulgada hoje amplamente nas redes sociais, sobre ela achar que não é correto dar marmitas para pessoas em situação de rua porque eles “gostam” de ficar ali. Só na cidade de São Paulo são 33.808 famílias em situação de rua, no estado são 60.996 (Cadúnico, março de 2020). As vagas para acolhimento na cidade de São Paulo não chegam a 18.000. 

A população em situação de rua precisa de políticas públicas bem definidas. Essa condição que desnuda o ser humano da sua dignidade precisa ser enfrentada com projetos que efetivamente promovam a saída da situação de rua. 

O MMFDH está ciente disso e tem trabalhado propondo aos Estados e municípios um caminho para mudar essa história. Mas enquanto esses projetos, essas respostas, não estão implementados, e ainda mais em tempos de Pandemia, a primeira ação que precisamos pensar (não a única) é dar a essas pessoas o que comer. E com isso resgatar-lhes um pouco da sua dignidade e mostrar-lhes que os reconhecemos como cidadãos brasileiros, e que a nação também precisa deles, reinseridos no seio social, para que todos nós juntos participemos da construção de dias melhores para todos. 

É correto sim dar marmitas às pessoas em situação de rua! E ainda abrigo, moradia, dignidade!

Em caso de violação de direitos, ou violência contra pessoa em situação e rua, não se omita: Disque 100!”

 

 

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