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Artigo: Adiar as eleições é um dever do Congresso Nacional

Com a pandemia do novo coronavírus, milhares de pré-candidatos espalhados pelo país ficaram limitados às articulações via telefone, fator que não abrange todas as camadas da população, em especial os mais idosos.

Por Marcelo Velez

Apesar de a legislação eleitoral estabelecer que o pleito inicia aproximadamente 45 dias antes do dia em que se vota nos políticos, é de senso comum que a preparação do terreno onde floresce uma candidatura a qualquer cargo começa bem antes, desde a preparação pessoal até a organização de quem serão os coordenadores, passando também pela gestão de mídias sociais.

Há poucos dias, Pernambuco iniciou um plano de relaxamento das medidas de distanciamento social e as implicações disso somente poderão ser vistas com clareza daqui a algumas semanas, podendo, inclusive, resultar em uma nova onda de casos de covid-19. Soma-se a esse aumento no número de casos, o fato dos pré-candidatos a cargos políticos irem às ruas almejando a coleta de votos.

Não é nada incomum para uma cidade mediana, candidatos fazerem, em média, 10 ou 12 reuniões por dia, coisa que dificilmente poderia ser feita de maneira prudente com a vigente situação em que vivemos. É mister observar também a situação em cidades interioranas, onde o ritmo de contágio tem se intensificado muito em diversas regiões do Brasil.

Em algumas semanas, provavelmente muitas cidades terão lockdown instituído, deixando a população com um curto espaço de tempo para escolher os seus representantes. Será extremamente complexo realizar uma eleição em 3 meses garantindo a segurança biológica a todos. Se, por um lado, o centrão busca barrar o adiamento por pressão de prefeitos pensando em atrapalhar candidaturas de oposição, em especial as mais novas, vale lembrar que os prefeitos de mandato com alta rejeição terão muito menos tempo para se recuperar em seus colégios eleitorais.

Pior ainda: o debate sobre quando as eleições devem ocorrer está sufocando o verdadeiro debate que deveria ser como ela vai ocorrer. Embora somente ocorram no dia 4 de outubro, pelo vigente calendário eleitoral, as eleições implicariam em milhões de brasileiros saindo de suas casas para votar.

Que maneiras serão adotadas para garantir a segurança biológica dos eleitores? Com milhares de pessoas circulando pelo mesmo colégio eleitoral durante o dia, usando a mesma urna eletrônica, fazendo filas muitas vezes em corredores estreitos e sobrecarregando o transporte público, fica difícil pensar em como vamos realizar este feito hercúleo sem comprometer a saúde do povo. Antes de mais nada, é preciso ter respeito com as pessoas. Não se troca vidas por votos.

O argumento de alguns congressistas para barrar o adiamento das eleições para novembro ou dezembro seria o fato de que não há como prever que com mais 40 dias a situação do país esteja menos crítica. Ora, se com mais 40 dias, há uma probabilidade de ainda estarmos sofrendo muito os efeitos da pandemia, com 40 dias a menos seguramente também não estaremos a salvo. Outra linha de defesa é o pensamento de que adiando o pleito em 40 dias, haveria menos tempo para a transição entre eleitos, problema facilmente contornável com a instituição de uma equipe técnica para este papel.

As únicas preocupações seriam com cidades dotadas de segundo turno no caso da disputa se desenrolar em dezembro. Como representantes do povo, não há outra opção sensata que não passe pelo adiamento por, no mínimo, 40 dias. Cada dia, cada hora, pode significar o desenvolvimento e a implementação de medidas que resguardem a vida da população.

A pandemia pegou a todos de surpresa. Não dá para voltar no tempo, mas dá para nos anteciparmos quando observamos a chegada de uma tragédia anunciada.

O artigo é de autoria de Marcelo Vélez

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