Funcionários Laranja

Além da mãe do menino Miguel, avó da criança também recebia dinheiro da Prefeitura de Tamandaré

O vice-prefeito de Tamandaré denunciou um esquema com funcionários fantasmas na cidade e apresentou documentos, em entrevista à TV Jornal.

Além da mãe do menino Miguel, avó da criança também recebia dinheiro da Prefeitura de Tamandaré

Prefeitura de Tamandaré. Foto: Reprodução/PMT

Publicado em 5 de junho de 2020 - 14:36

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O vice-prefeito de Tamandaré, Raimundo Nonato (PTB), denunciou um suposto esquema com funcionários fantasmas dentro da Prefeitura da cidade de Tamandaré, Litoral Sul de Pernambuco. A denúncia ocorreu após o prefeito Sérgio Hacker (PSB), esposo de Sari Corte Real, que vai responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, após o menino Miguel, de 5 anos, cair do 9º andar do prédio que ela reside, no Centro do Recife, na última terça-feira (2). Além da mãe da criança, o vice entregou que a avó de Miguel e uma funcionária de Sergio que trabalha na casa de praia também constavam como funcionárias da Prefeitura.

As informações foram reveladas nesta sexta-feira (5) em entrevista à TV Jornal. Na entrevista, Raimundo  disse que protocolou um pedido de investigação contra Sérgio Hacker ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) e para o Fórum local, por causa da existência dessas três funcionárias da família que constavam como servidoras públicas da Prefeitura de Tamandaré.

No Portal da Transparência da Prefeitura de Tamandaré, Mirtes Renata Santana de Souza, mãe de Miguel, está ocupando o cargo de Gerente de Divisão CC-6, cargo comissionado, lotada no Departamento de Manutenção das Atividades de Administração.

O vice-prefeito declarou que isso é “uma prática antiga da família”. “Após o acontecimento na residência do prefeito de Tamandaré, nós comprovamos pelo nome da empregada doméstica do casal, juntamente pelo Portal da Transparência, que ela fazia parte do quadro da Prefeitura. E, para nossa surpresa, a mãe da funcionária, que também trabalhava para a família, também estava constando como funcionária, além de outra funcionária da casa de praia de Sérgio Hacker”, explicou.

Raimundo informou na entrevista que tinha conhecimento das práticas, mas não tinha o nome das funcionárias. O vice-prefeito justificou que rompeu há quase dois anos com a gestão. “Não tenho conhecimento de muita coisa, não me dão brecha. Cheguei a assumir o cargo da prefeitura por 15 dias e em um dia foi impedido”, afirmou.

“Foi constatada pela Polícia Federal a compra de remédios vencidos e casos de superfaturamento. Já protocolei denúncias após a apuração no MPPE e da Controladoria Geral da União (CGU) e até agora nada aconteceu”

A investigação citada faz parte da operação Deadline, deflagrada em dezembro de 2018 nas três cidades administradas pela Família: Rio Formoso, Tamandaré e Sirinhaém, ambas no litoral sul pernambucano. Raimundo revelou que o prefeito pouco aparece na cidade. “Aqui ele só tem uma casa de praia. É de praxe ele ficar sem aparecer e é difícil a população vê-lo”, confirmou.

“Após a fiscalização, constatada a veracidade dos fatos, o gestor poderá responder por crime de responsabilidade e infração político administrativa. Na existência de pagamentos por serviços não prestados, as pessoas envolvidas deverão ser chamadas a devolver a quantia recebida. Neste caso específico, o prefeito poderá responder solidariamente, ou seja, terá que também ressarcir os cofres públicos. O TCE está apurando a situação não só da Sra Mirtes Renata Santana de Souza, como de outros servidores, com o intuito de apurar a situação dos que poderiam estar na condição de fantasmas”, disse o Tribunal de Contas do Estado em nota.

O MPPE também instaurou, nesta sexta-feira (5), um inquérito civil com a finalidade de apurar possível prática de improbidade administrativa do prefeito Sérgio Hacker.

“O inquérito foi motivado pela divulgação, através da imprensa, de que Mirtes Renata Santana de Souza, mãe de Miguel Otávio Santana da Silva, figura como funcionária da Prefeitura de Tamandaré. O MPPE já constatou, através de busca no portal da transparência municipal, que a senhora Mirtes Renata figura na folha de pagamento do município desde fevereiro de 2017. A Promotoria de Justiça de Tamandaré expediu ofício requisitando à chefia de gabinete da Prefeitura que informe, no prazo de três dias úteis, dados funcionais sobre a servidora, como cargo, função, método de controle de ponto, local de lotação, dentre outros”, informou o MPPE em nota.

A Prefeitura de Tamandaré comunicou, também em nota, que o Prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker Corte Real “se encontra profundamente abalado pelo fato já noticiado pela imprensa (lamentável perda do pequeno Miguel), e que no momento próprio e de forma oficial, prestará as informações aos órgãos competentes”. **Matéria construída com informações do Jornal do Commercio e da TV Jornal.

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