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“Deixa o cara governar”, pede Mourão sobre Bolsonaro

O vice-presidente acredita que a tensão política foi provocada por desgastes no Poder Legislativo.

“Deixa o cara governar”, pede Mourão sobre Bolsonaro

Vice-presidente Hamilton Mourão/ Foto: Montagem

Publicado em 1 de junho de 2020 - 09:00

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Para o vice-presidente, Hamilton Mourão, é preciso que se deixe o presidente Jair Bolsonaro governar. Ele deu a declaração em entrevista ao Valor Econômico, na qual falou sobre a tensão que paira no governo federal, bem como a crise entre os três poderes.

“Deixa o cara governar! Deixa o cara governar! Se ele cometer erros, dentro do limite da responsabilidade dele, como ‘n’ governantes já cometeram, vai chegar em 2022 e ele será julgado pelo eleitorado. É assim que se processa no sistema democrático. Mas nós entramos em uma espiral tão grande no nosso país que se você olha dos cinco presidentes do período democrático, pós 64, dois sofreram impeachment, um está condenado duas vezes e os outros tiveram processos. É uma coisa de louco isso aí”, disse Mourão.

Ele afirmou que o Brasil já foi governado pela esquerda e centro direita e que agora, com Bolsonaro no poder, significa uma “alternância democrática” e pediu para que deixassem Bolsonaro “cumprir sua tarefa” na presidência.

“Fomos governados pela esquerda e pela centro esquerda e agora é a centro direita e alguns da direita mais extremada. Isso é a alternância democrática. Deixa esse pacote passar. Se provar que funciona ele será eleito em 2022 e, se não funcionar, ele irá para o lixo da história”, explicou o militar.

Mourão completou dizendo que o principal motivo da tensão na política é devido ao desgaste sofrido pelo Poder Legislativo nos últimos 30 anos, se referindo aos escândalos de corrupção. Além disso, ele acredita que hoje há um protagonismo maior no Judiciário o qual não tinha em outros governos.

“O que vem acontecendo no Brasil é que nos últimos 30 anos os Poderes Legislativo e Executivo só sofreram desgastes. No Legislativo foram os anões do Orçamento, o mensalão, o petrolão, a máfia das ambulâncias, a máfia dos sanguessugas. O Legislativo foi totalmente contaminado por escândalos de corrupção e o Executivo, atrelado ao Legislativo pelo presidencialismo de coalizão – detesto essa expressão por que para mim todo presidencialismo tem que ser de coalizão porque senão não governa – e o Executivo também. O Judiciário ficou meio que de fora disso aí e passou a ter um protagonismo além dos limites dele, começou a legislar, a interferir em decisões que eram do Executivo, sem ser contestado. Dizem que o STF diz a última palavra, mas ele está dizendo a primeira, muitas vezes”, declarou o vice-presidente ao Valor.

Com relação a aproximação de Bolsonaro com os partidos do centrão, Mourão legitima, pois, segundo ele, o presidente está buscando ter uma base para formar união. A atitude do presidente vem dividindo opiniões. De acordo com Mourão, as críticas fazem Bolsonaro ficar entre a “cruz e a espada”.

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