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Inquérito dos respiradores do Recife mostram que investigação já ocorria há um mês

O MPF chegou a pedir o afastamento do secretário Jailson Correia e de Mariah Amorim Bravo por um período de 45 dias, mas a Justiça Federal não acatou.

Inquérito dos respiradores do Recife mostram que investigação já ocorria há um mês

Prefeito do Recife, Geraldo Julio. Foto: Divulgação/PCR

Publicado em 29 de maio de 2020 - 09:51

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As investigações da Polícia Federal em Pernambuco na compra de respiradores a uma pequena empresa de São Paulo apontaram supostas ligações entre o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, e o ex-representante da Brasmed Veterinária no Estado, Adriano de Lima Cabral.

A PF chegou a fazer buscas na Prefeitura do Recife, em busca de documentos na compra de respiradores sem licitação. A PCR respondeu que “o secretário de Saúde do Recife nunca trabalhou nem conhece essa pessoa”.

O Ministério Público Federal chegou a pedir o afastamento temporário de Jailson Correia e de Mariah Amorim Bravo – uma das responsáveis pelo contrato de compra – por um período de 45 dias, mas a Justiça Federal não acatou.

Nesta quinta-feira (28), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão, no âmbito da Operação Apneia II, no Recife e em São Paulo. Os agentes estiveram no prédio da Prefeitura do Recife, no Cais do Apolo, e na casa do secretário municipal de Saúde, no Espinheiro. O celular de Jailson Correia foi apreendido, além de documentos e mídias digitais na sede da PCR.

Em solidariedade a Correia, os secretários do Recife decidiram lançar uma nota conjunta, destacando a honestidade e seriedade do colega.

“Nós, secretários da Prefeitura, vimos a público para prestar nosso irrestrito apoio e solidariedade ao colega Jailson Correia. Médico e cientista que tem sua competência reconhecida pelos recifenses. Conhecemos sua seriedade e honestidade. Jailson jamais cometeria uma ilegalidade. Seu trabalho e compromisso com o povo já salvou muitas vidas nessa pandemia. Jailson é referência para todos nós como ser humano e como gestor público”, diz a nota.

Mas, o que foi esclarecido pelo delegado da PF Daniel Silvestre foi que a investigação dos respiradores começou há um mês.

“Chamou atenção o fato de uma empresa de pequeno porte criada há pouco tempo (outubro de 2019) fechar um contrato superior a R$ 11 milhões”, disse o delegado.

O  delegado fez referência a Juvanete Barreto Freire, que está cadastrada como microempreendedora individual e representante comercial de produtos veterinários, colchões, equipamentos médicos e ortopédicos, usando nome fantasia Brasmed Veterinária.

Em investigação conjunta do MPF, CGU e PF, foram apontados “indícios fortes de que a Juvanete Barreto Freire foi fraudulentamente constituída para funcionar como empresa ‘laranja’ na contratação com o Poder Público”, observa a CGU.

A investigação mostra que a família Freire já teve várias empresas em seu nome e vinha passando por dificuldades financeiras.

“Conta um débito de R$ 9 milhões dos negócios da família com a União”, destaca Silvestre.

O PSB, partido do governador Paulo Câmara e do prefeito do Recife, Geraldo Julio, emitiu nota nesta quinta-feira (28), defendendo o prefeito das acusações.

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