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Um palanque chamado Covid-19

Algumas personalidades públicas querem levar a fama de ser oposição ao governo. Elas querem capitalizar a colocação de Pernambuco entre os estados brasileiros com maior número de infectados pela Covid-19.

Um palanque chamado Covid-19

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Publicado em 22 de maio de 2020 - 19:40

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Por que nossos políticos são facilmente tão ácidos para com propostas que não saíram de seus partidos ou convenções? Por que todas as iniciativas que não saíram da caneta governamental da simpatia de muitos deles, são tidas como essencialmente ruins?

A título de exemplo: dia desses vi uns parlamentares daqui de Pernambuco nas redes sociais. Estavam extremamente indignados com o rodízio de veículos determinado pelo governo local.

Não tenho como sondar corações, mas posso atribuir significado ao que escuto. E o que escutei foi gente aborrecida porque suas idas e vindas estavam sob grande limitação de movimento. O pronome “eu”, ora explícito, ora implícito, dominava o discurso exaltado deles.

Para onde foi a dita vocação republicana dos indivíduos metidos na política? Terá sido ofuscada por outros interesses? O só antever interesse eleitoreiro usando o Coronavírus já deveria causar náuseas em quem porta um título de eleitor.

Suspeito que algumas personalidades públicas querem levar a fama de ser oposição ao governo. Elas querem capitalizar a colocação de Pernambuco entre os estados brasileiros com maior número de infectados pela Covid-19.

Não quero, com esse artigo, fincar posicionamento a favor ou contra o governo de Paulo Câmara. Não sigo a nenhum partido e tenho minhas próprias convicções sobre a política em Pernambuco e no Brasil. Mas acho totalmente censurável a falta de união de esforços para conter uma doença à qual todos estamos sujeitos.

Ao invés de apresentar propostas verossímeis, parte de nossos representantes chamam tudo de absurdo. Pergunto-lhes: como a presença de uma calamidade entre nós pode ter aparência de palanque para os senhores?

É justo demonizar a todo custo um rodízio no tráfego de veículos? Certamente não se trata de uma solução final para diminuir o número de pessoas vítimas do Coronavírus no estado. Mas foi apresentado como uma das ferramentas de auxílio para tal propósito. O que custa olhar para o esforço conjunto envolvido e reconhecê-lo como tal?

A meu ver, esses senhores e senhoras apresentam comportamento inaceitável. Tais indivíduos pensam que agindo dessa maneira estarão fincados na mente do eleitor quando este for às urnas na próxima eleição. Muitos eleitores imaginam mesmo que tudo de ruim que o Coronavírus trouxe consigo é culpa exclusiva dos atuais governantes.

Mas sim. Há quem possa ser tão sórdido a ponto de se promover usando os mortos e feridos da guerra contra a Covid-19.

Contudo, muito além de apresentar uma problemática aqui, esse artigo tem a intenção de fornecer um alerta. É imprescindível que atentemos para as estratégias daqueles que não respeitam o sofrimento físico ou econômico alheio.

Cada um de nós, dentro de sua esfera de influência, pode alertar outras pessoas. Por isso, que usemos nossas conversas para aguçar o pensamento crítico das pessoas.

Nesse aspecto eu estimo a forma como Sócrates dialogava com seus discípulos. Então, deixo aqui essa dica.

Faça perguntas profundas sobre os motivos pelos quais um conhecido seu está defendendo a postura de alguém. Faça seu interlocutor meditar mais intensamente no desabono que um político atribui a um rodízio de veículos, por exemplo. Ouso afirmar que considerável parte dos resultados que você obterá serão bastante animadores.

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