Contratos

Ex-subordinado de Geraldo Julio é dono de empresa que construiu hospital de campanha sem licitação

O custo da obra passou de R$ 5.631.003,48 para R$ 7.504.976,30, em razão de um aditivo assinado em 17 de abril. Assim, a empresa teria que entregar 133 leitos de UTI e 425 leitos de enfermaria, num total de 558 leitos.

Ex-subordinado de Geraldo Julio é dono de empresa que construiu hospital de campanha sem licitação

Prefeito do Recife, Geraldo Julio. Foto: Divulgação/PCR

Publicado em 20 de maio de 2020 - 16:05

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Por Blog da Noelia Brito

Sob o título “Uma licitação camarada”, o Correio Braziliense trouxe a público, em matéria assinada pelo jornalista João Valadares, hoje na Folha de São Paulo, que um “apadrinhado” do prefeito do Recife, Geraldo Julio, recém empossado para seu primeiro mandato, ganhara “um contrato milionário para instalar 45 mil luminárias na cidade” do Recife. Era agosto de 2013.

Segundo a matéria, que teve grande repercussão, na época, “A principal empresa do consórcio vencedor da maior licitação de serviços da gestão do prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), apadrinhado político do presidenciável Eduardo Campos (PSB), tem como sócio um ex-subordinado dos dois políticos. O empresário Leonardo Anacleto Ramos, um dos donos da Processo Engenharia, que ganhou, em maio, um contrato de R$ 27,9 milhões para instalar 45 mil pontos de luz na capital pernambucana, foi nomeado para o cargo de confiança de gerente-geral do Promata, órgão do governo do estado, pelo próprio Geraldo Julio. Na época, o prefeito era secretário de Planejamento e Gestão de Pernambuco.”

À reportagem do Correio, o “coordenador da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco, defendeu uma profunda investigação diante do grau de proximidade entre o empresário e o prefeito. ‘Tendo em vista essa proximidade e relacionamentos anteriores, essa licitação precisa ser minuciosamente investigada pelos órgãos de controle'”

O empresário, dono da Processo, falando à reportagem, rebateu a acusação: “Participamos de um processo limpo, disputado por três consórcios que, através de lances, brigaram preço a preço pelo contrato”. A matéria pode ser conferida, na íntegra, AQUI.

Passados quase oito anos daquele episódio, que ficou marcado como o primeiro escândalo da gestão Geraldo Julio, por ironia no destino, no último ano de sua gestão à frente da Prefeitura do Recife, o nome da empresa do “ex-subordinado” do prefeito do Recife reaparece como contratada, com dispensa de licitação, para “CONSTRUÇÃO DE 100 LEITOS DE UTI E 320 LEITOS DE ENFERMARIA NO HOSPITAL PROVISÓRIO DO RECIFE, LOCALIZADO NO LARGO DOS COELHOS, 39, BAIRRO DOS COELHOS PARA ATENDER ÀS NECESSIDADES DA REDE MUNICIPAL DE SAÚDE NO ENFRENTAMENTO DA EMERGÊNCIA EM SAÚDE PÚBLICA DE IMPORTÂNCIA INTERNACIONAL DECORRENTE DO COVID-19”.

O custo da obra passou de R$ 5.631.003,48 para R$ 7.504.976,30, em razão de um aditivo assinado em 17 de abril, portanto, com menos de 30 dias da assinatura inicial, ocorrida em da 20 de março de 2020, para acrescer 33,28% ao objeto do contrato. Assim, a empresa teria que entregar 133 leitos de UTI e 425 leitos de enfermaria, num total de 558 leitos.

Foto: Reprodução

Entretanto, matéria publicada no próprio Portal da Prefeitura do Recife e que traz entrevista com o Prefeito, veicula a informação de que foram entregues apenas os 420 leitos inicialmente contratados e não os 558 a que a empresa Processo havia se comprometido, por força do Aditivo acima mencionado, a entregar:

“Dois dias após entregar pronto o Hospital Provisório Recife 2, que está localizado nos Coelhos, o maior hospital já construído pela Prefeitura do Recife, o prefeito Geraldo Julio anunciou na manhã desta quarta-feira (22), o início antecipado do funcionamento da unidade. O hospital tem um total de 420 leitos será administrado pela Fundação Martiniano Fernandes, ligada ao IMIP. Ele  começa a funcionar com 20 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 30 leitos de enfermaria.”

Observe-se que o aditivo foi assinado no dia 17/04, portanto, três dias antes da inauguração do Hospital, que ocorreu no dia 20/04, atendendo a um parecer técnico elaborado no mesmo dia 17/04. Ora, se o Hospital foi inaugurado já no dia 20 e, de acordo com o próprio Prefeito, completo, qual a finalidade do aditivo do dia 17?

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A Fonte dos recursos é um financiamento junto à Caixa Econômica Federal (FINISA).

Apontado como “apadrinhado” do Prefeito, pela reportagem do Correio, de 2013, Leonardo Anacleto Ramos ainda continua sócio da Processo, tendo sido sua empresa vencedora, ao longo dos anos, de pelo menos outros 16 contratos com a Prefeitura do Recife (V. Levantamento ao final da matéria).

O Blog tentou contato com a Prefeitura do Recife e com a Processo, via e-mail, mas até a publicação desta matéria não houve retorno, mas mantém o espaço aberto para os esclarecimentos que entenderem pertinentes.

Da redação do Portal com informações do Blog da Noelia Brito

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