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A farsa ideológica de Suzy

Em segundo plano ficou a intenção mor: capitalizar ideologicamente uma suposta história de alguém que é vítima de preconceito de cor, classe social e transexualidade. A decência foi expurgada da entrevista.

A farsa ideológica de Suzy

Foto: Reprodução

Publicado em 10 de março de 2020 - 01:47

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Lá no começo de sua maior projeção no país, a esquerda colou seu nome à luta dos mais pobres. Mas com o passar do tempo o público alvo diversificou-se.

Aprtir de então, pessos envolvidas por alguma vulnerabilidade mais acentuada ganharam a atenção socialista. Nesse contexto, a mulher, a população carcerária, os negros e os homossexuais foram alguns dos grupos que receberam a atenção comunista.

Excelentes políticas públicas foram criadas, mas a que preço? A mentalidade de vítima fincou-se na mente das pessoas seduzidas pelo apoio esquerdista.

Um dos resultados atrozes foi que um crescente número de indivíduos passou a destilar rancor quase criminoso a praticamente toda instituição democrática.

Aquela mentalidade afirmava que a democracia não era tão legitima assim, visto que baseava-se exclusivamente no que queriam as “classes dominantes” históricas e/ou atuais. Qualquer figura social de autoridade passou a ser francamente desrespeitada.

A conscientização proposta pela esquerda não propiciou que os brasileiros apreendesem o próprio senso de valor. Antes, transformou muitíssimos deles em cidadãos revoltados que pensavam que qualquer um, em melhor condição que eles, lhes devia alguma coisa.

Não irei colocar todos os políticos ou militantes de esquerda no mesmo pacote. Existem os que exercem um papel político bem positivo por meio de seu mandato.

Outros, usam espaços coletivos para melhorar a vida de bastante gente que, até então, vivia na invisibilidade social. Alguns sabem que o socialismo nunca prosperou nação nem resolveu as desigualdades de algum país.

Trazendo um exemplo desse tipo de ônus esquerdista para a atualidade, um sinal disso saltou-nos aos olhos há pouco. A rede Globo usou um crime cometido por alguém transexual para comover o Brasil.

Em segundo plano ficou a intenção mor: capitalizar ideologicamente uma suposta história de alguém que é vítima de preconceito de cor, classe social e transexualidade. Afinal, quem não se emocionaria com a história de alguém cujo sofrimento aglutina questões como essas?

Mas a libertadora verdade não tardou a anunciar a razão da falta de atenção coletiva à Suzy. Uma criança de nove anos foi estuprada e morta pelas mãos da entrevistada.

Há algo muito errado com um espaço de notícias que pauta uma manipulação desse jeito? Sim. Mas também há algo muito errado com o Brasil. Nosso país, há anos, vem engolindo histórias com esse tipo de viés em novelas, jornalismo e programas de auditório.

Continuamos dando nosso tempo e audiência para esse tipo de programação. É isso que justificativa o empenho aplicado na veiculação da história da transexual. E, para nosso espanto, a rede Globo não é a única janela por onde esse tipo de mídia se propaga.

Impressionei-me com o egodo proposto no Fantástico. Vitimizou-se grandemente a família da vítima infante da transexual. A decência foi expurgada a pretexto de fazer-se uma clara propaganda ideológica e política.

Fico imensamente feliz quando vejo mulheres, negros e homossexuais que não aceitam mais ser domesticados pelo vitimismo de massa de manobra. Acho incrível ver pessoas cuja vontade é fazer algo de bom ao próximo em atitudes que transcendem rótulos como os de gênero ou cor.

Lutar para dirimir desigualdades de gênero, cor, sexo e afins é fundamental. Mas limitar o olhar para existir e agir apenas em guetos é desperdiçar a existência de maneira por demais vexatória.

Penso que, voltando a Suzy, ela merecia o abraço de Dráuzio Varella, mas num contexto de arrependimento sincero pelo crime. Tal aconteceria se o objetivo daquela entrevista fosse glorificar a possibilidade do ser humano de mudar de vida, e não, de usar a transexualidade num contexto político e malicioso.

Penso que, talvez, serviços de natureza humanitária de visita a presos tenham falhado com Suzy. Se a visitassem, talvez pudessem proporcionar a ela, além de um abraço, maior conscientização do valor da vida – tanto a dela própria, quanto a da criança vítima de seu ato delituoso.

Depois da revelação nacional da farsa ideológica usando Suzy, torçamos para que nossa audiência deseje abraçar realidades desafiadoras, mas, sinceras.

Que desaprendamos a investir nossa credulidade na reputação de quem ou o que quer que seja, só porque um discurso tocou nossa emoção.

O abraço é livre, mas que a gente possa fazê-lo com mais coerência. Que nosso Brasil aprenda a abraçar a verdade acima de tudo.

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