Regalias

Ex-senador Luiz Estevão diz que ex-ministro pagou R$ 800 mil por celas para corruptos do PT

Luiz foi condenado a 25 anos de prisão por peculato, estelionato e corrupção.

Luiz Estevão, Ex-senador Luiz Estevão diz que ex-ministro pagou R$ 800 mil por celas para corruptos do PT
O ex-senador Luiz Estevão é visto durante cerimônia para comemorar o cinquentenário da conquista da Copa de 1958, no Palácio do Planalto, em Brasília/ Foto: Dida Sampaio

O ex-senador Luiz Estevão executou uma obra clandestina na Penitenciária Federal da Papuda, a pedido do ex-ministro de Justiça do governo Lula, Márcio Thomaz Bastos (falecido em 2014). A revelação foi feita pelo próprio Estevão, em entrevista publicada na última edição da revista Veja.

Luiz foi condenado a 25 anos de prisão por peculato, estelionato e corrupção e foi o primeiro senador a ser cassado pelo desvio de R$ 169 milhões da obra do TRT de São Paulo. Mesmo assim, elogia o atual ministro Sérgio Moro, ao lamentar o esforço gigantesco para derrubar instrumentos que frearam a corrupção, como a delação premiada e a própria prisão de condenados em 2ª instância.

A obra de R$ 800 mil no presídio da Papuda, segundo Estevão, foi paga e encomendada por Márcio Thomaz Bastos. O ex-senador disse que um dia o ex-ministro petista o convidou para um almoço em São Paulo e fez a encomenda, preocupado com as futuras condenações de petistas no escândalo do mensalão.

“Lá, ele disse assim: ‘Olha, Estevão, estou muito preocupado porque, você sabe, o nosso pessoal vai ser condenado mesmo, e o sistema prisional não tem condições de abrigar essas pessoas’”, relatou Estevão à Veja.

Ao ressaltar que a obra não foi para proveito próprio, o ex-senador disse que a obra consistia em transformar um depósito abandonado do presídio em celas. “Eu apresentava as notas fiscais, e o [ex-]ministro pessoalmente me reembolsava. Não gastei nada do meu bolso. Foi tudo pago pelo doutor Márcio, um total de 800 mil reais”, disse Estevão, sobre o pagamento feito majoritariamente em dinheiro.

“Eu e Zé Dirceu dormimos na mesma cela, tivemos uma convivência extremamente boa. Ele não reclama de nada, não se queixa de nada, nunca o vi se lamentando, o que também é o meu perfil. Já o Geddel chorava muito”, relembrou Estevão.

“Havia uma preocupação muito grande com a possibilidade de suicídio de alguns desses presos do mensalão e da Lava Jato”, disse o ex-senador.

Cumprindo pena em regime semiaberto e trabalhando com vendas e aluguéis de imóveis, em Brasília (DF), Luiz Estevão conclui que a Lava Jato fez diminuir a roubalheira, porque as pessoas agora têm medo da prisão. “A corrupção passou a ser um caminho perigoso”.

Deixe seu comentário

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
Enviar Mensagem
Entre no Grupo de WhatsApp do Portal