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Quem melhora o mundo são pessoas, não, correntes políticas

Talvez algum dia saia de moda a gente chamar, aleatoriamente, os outros de racista, fascista, misógino ou comunista, só porque o outro não professa nossa crença econômica.

Quem melhora o mundo são pessoas, não, correntes políticas

Foto: Divulgação

Publicado em 2 de março de 2020 - 22:48

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Certa vez, para alimentar dados concernentes a uma pesquisa, precisei usar um famoso site de buscas para captar informações sobre o governo militar brasileiro. Para minha total surpresa naquela época, tudo que vi entre as sugestões do site tinha vínculo ideológico de esquerda.

Ao procurar imagens alusivas ao tema, fui novamente surpreendida. O slogan “Abaixo a Ditadura” inundou a tela da minha máquina naquele dia.

Após meu olhar político ter adquirido um tiquinho mais de maturidade, concluí que neutralidade absoluta só existe nos livros. Quem chega ao poder parece sucumbir à tentação de propagar apenas sua visão de mundo. É um tipo de técnica usada para reescrever o passado.

Numa realidade totalmente à prova de equívocos, o melhor da direita e o melhor da esquerda, juntos, criariam um país perfeito. No entanto não se verá nenhum paraíso assim deste lado do Céu.

Agora, em linhas gerais, os dois entendimentos econômicos tem algumas características mais populares.

A direita proporciona a prosperidade individual e nacional, além de oferecer incrível qualidade de vida a um país. Todavia ela padece da tendência de desconsiderar grupos especialmente vulneráveis. A esquerda prioriza os vulneráveis, mas demoniza o capital e tem forte inclinação para domesticar até mesmo liberdades de opinião e crença que lhe são contrárias.

Quem tira os olhos dos teóricos dessas duas correntes e tenta ler o mundo ao redor percebe, todavia, que nada é só preto e branco. Concordar cegamente com absolutamente tudo referente à direita ou à esquerda jamais fará alguém sábio.

Quem melhora o mundo são as pessoas, não as correntes políticas. Há os que sentem prazer em proporcionar o bem comum e usam o melhor de suas ideologia para inspirá-los a fazê-lo. Entre esses há, infelizmente, os que só pensam em pavimentar o caminho da próxima eleição para si mesmo, e usam a ideologia para glorificar tais estratégias.

No fundo, o que prevalece na política  são seres humanos, com defeitos e qualidades, que querem mudar a história do Brasil. Cabe a nós, cidadãos, observá-los mais de perto. É cheio de boas intenções, mas é corrupto? Não o eleja. Cumpre o que promete e é honesto? Invista seu voto nele.

E quanto aos rótulos tão em voga usados pela população para xingar uns aos outros, espero que algum dia isso mude.

Talvez algum dia saia de moda a gente chamar os outros, aleatoriamente, de racista, fascista, misógino ou comunista, só porque a outra pessoa não professa nossa crença econômica. Se isso acontecer, creio que teremos, de fato, aprendido a votar e aprendido o significado republicano de cidadania.

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