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Carnaval: humor e tréguas políticas

No carnaval, brasileiros e brasileiras extravasam suas dores em forma de ironia. Essa é uma hora na qual política e humor se misturam de uma forma criativa e interessante.

Foto: Internet/Divulgação

Irreverência, o povo brasileiro tem de sobra. Alegria, então, nem se fala. Que outro povo consegue mostrar tanto prazer com o futebol e o carnaval a despeito de levar uma vida tão sofrida?

Afinal, temas como saúde, educação e transporte público ainda nos fustigam diariamente. Muitas são as consequência de antigas políticas públicas equivocadas. Também sofremos todos os dias os resultados da corrupção que levam os recursos que deveriam fazer nossa vida bem melhor.

No carnaval, brasileiros e brasileiras extravasam suas dores em forma de ironia. Essa é uma hora na qual política e humor se misturam de uma forma criativa e interessante.

Uma fantasia que tem tudo para ganhar destaque em 2020 é a de retroescavadeira. O senador Cid Gomes popularizou o veículo após usá-lo a pretexto de dar fim a uma paralização de policiais no Ceará. A chuva de memes do político no contexto do ocorrido já começou a dar o tom do interesse do povo pela história.

Mesmo para aqueles que não celebram o carnaval, como eu, a festa de fevereiro chega a dar um tom de esperança quanto à identidade do nosso povo. Como assim? Explico-me: o país encontra motivos para sorrir, seja qual for o tamanho do caos. Por si só, tal fato já é uma lição a ser ensinada ao mundo.

Algumas conhecidas e oportunistas figuras vem tentando incutir no país a cultura do ódio como forma de comunicação mor. Nossa juventude, por exemplo, tem usado gritos exaltados de destruição para protestar politicamente contra quase tudo. O Carnaval, no entanto, parece fornecer uma pausa, uma trégua para esse tipo de rancor.

Pessoalmente não gosto de Carnaval, e creio ter fortes motivos de várias ordens para minhas ressalvas. No entanto, não posso olhar para o mundo apenas do ponto de vista de minhas objeções. Apesar dessa festa popular me trazer muitas preocupações e temores, é inegável seu efeito político sobre o país.

Não concordar não embute, obrigatoriamente, cegar-se para certos benefícios que algo traga consigo. Não gosto do carnaval, mas gosto de ver otimismo e sorrisos no rosto de um povo tão sofrido como o meu.

Para os que estão ou estarão nas ruas nos próximos dias, meu conselho seria este: brinque em paz e empenhe-se em  alcançá-la. Suas responsabilidades precisam que você descanse e relaxe para voltar a encontrá-las após a quarta-feira de cinzas.

E para aqueles que escolhem outras formas de aproveitar o longo feriado eu diria algo parecido. A luta pela sobrevivência é dura e precisamos de nossa melhor versão para enfrentá-la. Então renove suas energias porque esse país também depende de nosso empenho e nossa torcida para dar certo. Eis o meu recado.

Penso que o país que se desdobra à frente de nossos olhos oferece justificativas para ter fé no futuro. Apenas a partir da esperança as pessoas se levantam para mudanças verdadeiramente grandiosas.

Curtindo o carnaval ou não, use esse tempo para municiar-se de boas expectativas quanto ao futuro. Inclusive temos eleições municipais logo à frente. Votar não é um fardo: é um privilégio negado, por exemplo, a inúmeras ditaduras, como as socialistas, por exemplo.

O futuro pode ser melhor ou pior, mas, de todo jeito, vai passar por suas mãos. Então curta a pausa desse feriado tão celebrado, renove suas forças e volte muito melhor, porque o futuro precisamos de você.

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