Privatizações

Em defesa da Dataprev e Serpro, João da Costa promete articular prefeito, deputados e governador

Elas são empresas lucrativas e só no Recife contribuem com um Compaz ao ano em impostos”, disse João da Costa

Em defesa da Dataprev e Serpro, João da Costa promete articular prefeito, deputados e governador

Publicado em 17 de fevereiro de 2020 - 17:59

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Fotos: Anderson Barros/Câmara do Recife

Em defesa da Dataprev e do Serpro, o vereador do Recife João da Costa (PT) prometeu, nesta segunda-feira (17), articular apoio do prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), dos 25 deputados federais de Pernambuco e do governador Paulo Câmara (PSB) para lutarem contra a venda das estatais. O objetivo, segundo o petista, é barrar no Congresso Nacional o processo de privatização das empresas. Segundo João, caso o governo federal confirme o repasse da Dataprev e do Serpro à iniciativa privada, o Recife será profundamente atingido, deixando de arrecadar R$ 10 milhões anuais em ISS e desempregando mil profissionais, impactando a economia da capital pernambucana. Estiveram presentes o deputado federal Túlio Gadêlha (PDT), o deputado estadual Isaltino Nascimento e os vereadores Ivan Moraes (PSOL), Luiz Eustáquio (PSB) e Jayme Asfora (sem partido).

Fotos: Anderson Barros/Câmara do Recife

“Essas empresas são estratégicas para formulação de políticas públicas no Brasil, para dar celeridade nos processos administrativos para concessão de uma série benefícios, como o de aposentadoria. Elas são empresas lucrativas e só no Recife contribuem com um Compaz ao ano em impostos”, disse João da Costa, durante audiência pública na Câmara do Recife. De acordo com o vereador do PT, a privatização coloca em risco a soberania nacional digital do Brasil e a preservação de dados públicos de todos os brasileiros.

“A Dataprev e o Serpro são responsáveis pelo gerenciamento de informações de empresas e pessoas físicas. Ambas empresas são superavitárias, não dão prejuízos ao governo federal, geram lucro e empregos e são imprescindíveis para a soberania de dados públicos nacionais. A Dataprev, por exemplo, gerencia informações de programas federais importantes como o Bolsa Família, e também o sistema de Previdência Social. Já o Serpro administra todas as informações de brasileiros, como o serviço do seguro-desemprego, a emissão de passaportes, certidão de nascimento, de óbito, o CPF, entre outros documentos”, argumentou o vereador.

Fotos: Anderson Barros/Câmara do Recife

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Informática, Processamento de Dados e Tecnologia da Informação de Pernambuco (SINDPD/PE), Sheila Lima, destacou que a Dataprev e o Serpro gerenciam mais de 20 bilhões de dados de todos os brasileiros e empresas situadas no País. A dirigente sindical comentou as consequências da privatização. “A segurança de dados vai continuar? Qual o motivo de privatizar empresas que estão dando lucro?”, questionou.

Para Reinaldo Soares, analista há 15 anos do Serpro, a empresa vem fomentando negócios e que possui grandes clientes no Recife, como o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE). Segundo o funcionário, políticas públicas implantadas no Recife se baseiam a partir de dados obtidos junto aos sistemas dessas empresas estatais. “No âmbito municipal, a CTTU consome esses dados. A política de mobilidade é baseada por meio das informações do Serpro, assim como a Emprel. Existe todo um mercado, estamos fomentando negócios e facilitando novos. As duas empresas são lucrativas até porque o Serpro devolve dinheiro para o governo federal, assim como a Dataprev”, disse.

O analista de Tecnologia da Informação da Dataprev, Venício Dantas, pontuou que a empresa já iniciou o processo de desestatização com o fechamento de 20 unidades. “O motivo do fechamento alegado foi a diminuição da demanda local. Isso não é verdade porque há anos a Dataprev não atua como uma lógica local, assim como o Serpro. A não geração de receita nessas unidades também foi alegada e não é real. Aqui no Recife, por exemplo, o que significaria não utilizar o sistema de qualificação de mão de obra para jovens, que é nosso? É muito sério. Mas é possível reverter essa situação”, ressaltou.

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