ARTIGO

O Voto e a Desconstrução da Burrice

Levaremos ainda algumas gerações para melhorar esse país e nos livrar da lembrança da burrice que dominou tantos de nossos centros educacionais. Mas o tempo de mudar já chegou.

O Voto e a Desconstrução da Burrice

Jornal GGN/Divulgação

Publicado em 19 de janeiro de 2020 - 23:38

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Jornal GGN/Divulgação

Quanto mais vejo jovens brasileiros se manifestando politicamente com certas ações, mais me entristeço com o projeto de emburrecimento coletivo a que lhes submeteram. É de fazer qualquer um chorar.

A pretexto de estimular nossa consciência crítica, nos ensinaram que a burguesia era tudo de ruim. Como resultado, a juventude não sabe explicar como um objeto pesado, como um avião, consegue voar. No entanto, possui uma língua ferina para xingar qualquer autoridade como se tivesse plenas condições de fazer melhor qualquer coisa que o outro já fez.

O tempo passa, mas ainda fico estarrecida com as manifestações “criativas” que universitários escolhem para apoiar ou contestar certas coisas. Antigamente achava que o objetivo deles era apenas chocar pelo prazer de chocar. Hoje vejo que grande parte dessas pessoas é burra mesmo. E muitas vezes ninguém (fora esses próprios jovens ) apreende o sentido entre o efeito teatral que criam e o assunto de suas ponderações.

Não. Não é um xingamento. Está mais para um diagnóstico. Mas é que eles reproduzem um condicionamento que muitas vezes os acompanha desde as primeiras vezes que pisaram numa escola.

Um jogral ao ar livre xingando um político não muda absolutamente nada no mundo. Uma banda feminina com o nome de uma palavra de baixo calão não acrescenta nada à sociedade.

Por tempo demais não fomos ensinados a pensar. Fomos ensinados a criticar e a odiar. Não sabemos fazer uma análise sintática de uma frase um pouco mais longa. Não sabemos fazer conta envolvendo porcentagem. Mas sabemos dizer que o chefe do nosso parente mais próximo é um diabólico capitalista explorador.

O Brasil serviu de laboratório para experiências educacionais absurdas. Destruiram vidas inocentes e para muitas delas, ouso dizer, não tem remédio que sirva. Foram transformados num enorme curral eleitoral. E só.

Seus talentos e genialidade foram roubados inescrupulosamente. Não conseguem ler um livro, entende um artigo acadêmico e nem fazer regra de três. É por isso que não sabem compreender entrelinhas. É quase impossível que eles percebam coisas como malícia, sarcasmo e ironia.

Surfam sobre uma frase dita pelos políticos que idolatram e aplaudem qualquer bobagem que as celebridades dizem em programas de auditório. Eles se acham capazes de governar melhor que qualquer autoridade que administre um estado ou que presida um país.

Estamos em ano eleitoral. Muita gente só dá valor a eleições para cargos majoritários. Mas o futuro de uma cidade ou país tem a ver com todos aqueles a quem damos a oportunidade de falar por nós nas esferas de poder.

Nem tudo é uma questão de escolher a pessoa mais inteligente ou simpática que procura o nosso voto. É preciso não ceder aos encantos do marketing eleitoral e escolher gente que tenha valores com os quais nos identificamos. Ou então, outra geração, mais precisamente a de nossos filhos, vai continuar administrando uma burrice aprendida.

O Brasil é um país que, sob oportunidades e estímulos econômicos importantes, pode gerar frutos para o mundo.

É nacionalismo radical acreditar que muitos inventores de sucesso, grandes empreendedores e artistas premiados internacionalmente possam ser brasileiros que não precisaram sair daqui e morar fora? A meu ver, não é. Foi a normatização dos roubos e da corrupção que tirou, de muitos de nós, o direito de pensar com otimismo.

Levaremos ainda algumas gerações para melhorar esse país e nos livrar da lembrança da burrice que dominou tantos de nossos centros educacionais. Mas o tempo de mudar já chegou.

Não tenho filiação partidária nem estou aqui para sugerir algum candidato político. Quero apenas tocar sua consciência. Não vote em qualquer pessoa que pareça interessante, nem mesmo para o cargo de vereador.

Veja se o partido tem a ver com valores que você acredita. Em seguida observe se o candidato é de um partido mas tem o discurso de outro (oportunismo). Depois pense nas crianças e jovens da sua família. O nome que você depositar na urna eleitoral pode fazer muita diferença para essas pessoas que lhe são tão caras.

E falando nisso, talvez até mesmo alguém de sua parentela mostre inclinações políticas. Se for assim, invista nessa pessoa. Municie o talento dela com a esperança que ela precisa para voar bem alto. É a positidade que estimula, apesar de ser o realismo que propõe a base sólida na qual precisamos estar firmes.

Não ridicularize aspirações políticas precoces nem demonize o desejo de alguém ser quem fala em nome daqieles que não tem gente por eles.

Política já ficou conhecida como coisa para ladrões. Precisamos transformá-la em coisa de gente de bem. Só assim a gente já vai incorporando a mudança que quer ver no Brasil e no mundo.

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