ARTIGO

Lula: até onde vai seu instinto de sobrevivência política?

O petista parece extremamente cioso de seu capital político. Mas a que ponto estaria disposto a chegar para preservá-lo?

Foto: Divulgação/Diário do Centro do Mundo

Capital. Se o assunto for Economia, esse vocábulo pode significar fruto de um investimento prévio. Assim, aquela reserva financeira para emergências ou aquela poupança guardada para adquirir um novo bem são o seu capital, leitor.

Dentro da Política também é possível acumular uma “reserva para situações emergenciais”. É necessário avaliar o quanto certos “juros” podem beneficiar ou avariar a reputação política de alguém.

O ex-presidente Lula teve uma trajetória com aspectos muito bons e outros, muito ruins. Avaliando honestamente, há motivos legítimos no carinho que parte do eleitorado brasileiro confere ao petista. O que falta para tais eleitores, todavia, é uma visão macro e, consequentemente, coerente das funestas consequências que o governo de Lula trouxe – e ainda traz – para o Brasil.

Ao ver-se preso pela Lava Jato, creio que Lula não se abateu de pronto. Agiu de forma estratégica. Ele levou a cabo uma ideia de vitimismo e se deu bem por certo tempo.

O fundador do Partido dos Trabalhadores, enquanto preso em Curitiba, teve um crescimento de capital político sem precedentes. Ele se tornou “o preso político“, “o perseguido pelas elites“, “a vítima das injustiças“, “o representante dos oprimidos”. Era comum até mesmo ouvir gente mais humilde dizer que “o sul” estava “contra o nordeste”, e que “os ricos” tinham prendido Luiz Inácio porque estavam “contra os pobres”.

Vamos supor: você está acostumado à liberdade de ir e vir quando e como quer. Mas resumem sua mobilidade a cerca de poucos metros e lhe deixam praticamente sem privacidade. O que você faz? Adapta-se àquilo? Ou aproveita a chance que aparece de ir para o conforto do seu lar?

Olhe só isso: Lula preteriu a prisão domiciliar. Ele preferiu continuar na sede da Polícia Federal curitibana.

Penso que Lula sacrificou o conforto, não porque seja “a alma mais pura” desse país. Ele pensou na manutenção de seu capital político e, quiçá, no incremento disso.

Mas aqui fora, a moeda eleitoral acumulada pelo petista tornou-se volátil em contato com o ar. Lula perdeu a sagrada aura que possuía.

O pernambucano pensava que as multidões brasileiras o louvariam inconteste. A única multidão que passou a recebê-lo foi a dos esquerdistas mais radicais. E ela nem é tão impressionante assim. O que impressionou mesmo foram os muitos protestos contra a chegada do ex-presidente em muitas cidades do Brasil.

Na ocasião Pernambuco mostrou duas caras a Lula. Em uma delas se viu muita gente contente vestida de vermelho e uma sacerdotiza de religião de matriz afro usando palavras de baixo calão para hostilizar o Cristianismo. De outro, se viu pixulecos e cartazes atribuindo frases de persona non grata ao político.

Na verdade, a esquerda pareceu um amontoado de lideranças menores juntas mais por conveniências do que por consideração “à ideia” que Lula diz que ele, em pessoa, é.

Por aqui, o petista apareceu publicamente abraçando dois políticos rivais de uma importante família. Os dois parentes disputam o apoio do ex-presidente do PT para apadrinhá-los, exclusivamente, nas próximas eleições. Enquanto Lula não decide quem vai receber sua bênção, os referidos personagens soltam farpas mútuas nos bastidores.

Dentro da liderança da esquerda brasileira Lula goza de consideração por parte de gente de peso. Mas esse apoio não tem a hegemonia de outrora. O político pernambucano precisa de estrategistas geniais se quiser retomar sua popularidade e influência política. E o ex-presidente precisa agir rápido.

Talvez daqui a algum tempo o vejamos fazendo algum tipo de mea culpa, a fim de salvaguardar o respeito que seus simpatizantes ainda lhe creditam. Não há garantias de que tal ação não lhe adicionará a percha de “oportunista” à de “corrupto”.

Lula parece extremamente cioso de seu capital político. Todavia, a que ponto ele chegaria para preservá-lo?

Pode bem ser que ele negocie o próprio orgulho na tentativa de recuperar a reputação que teve um dia com a maior parte do povo brasileiro. Ou pode ser que o ego do pernambucano o levem a insistir num discurso que já não agrada como antes. Seja como for, acredito numa coisa: o Brasil está olhando para a lenta, agonizante e iminente morte política do maior representante da esquerda que o país já teve.

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