ARTIGO

Jovens: onde estão os que vão colocar o mundo de cabeça para baixo?

Se eu tivesse como acessar toda esta geração por alguns minutos e pudesse lhes dizer algo em pouco tempo...eu lhes indicaria um certo filme.

Foto: Divulgação

Não tem coisa mais chata do que ter que conviver com um sabe-tudo. Acho bem inconveniente a pessoa que tem uma resposta final para todo comentário feito em roda de amigos. Mas para o meu espanto a juventude do meu país ama os sabichões.

Muitos moços e moças “progressivos” amam repetir frases políticas de efeito sem compreender o contexto ou profundidade de seus significados. Enquanto isso, dolescentes e jovens “conservadores” repetem, à exaustão, conceitos dos quais não abarcam centímetros de profundidade.

A humanidade passou por benéficas e enormes transformações, graças aos ímpetos dos jovens. Mas atualmente, onde estão aqueles que, num excelente sentido, podem virar o mundo de cabeça pra baixo?

Muitas pessoas deixam que líderes moldem suas mentes a ponto de conseguirem extrair delas conceitos basilares.

Pode parecer, mas não estou generalizando. Falo de subgrupos dentro de grupos específicos que, até se ocupam muito, politicamente. Mas são como árvores onde só se encontram folhas, ao invés de frutos.

O que há de mais elementar que o conceito de Bem e Mal? Conheço gente que colocou política e religião dentro do mesmo pacote, o etiquetou sob o título de “perversidade burguesa” e anda com isso por aí, debaixo do braço. Idade? Na casa dos vinte anos.

Sei de gente jovem que desacredita qualquer outra pessoa que lute por causas sociais, ou mesmo ecológicas. São indivíduos que atribuem o conceito de “comunista” a todo mundo que não pensa como eles pensam.

Se eu tivesse como acessar toda esta geração juvenil por alguns minutos e pudesse lhes dizer algo em pouco tempo…eu lhes indicaria um certo filme.

Do ponto de vista político, é uma película bem neutra. Chama-se “Quero ser John Malkovich” (1999).

Há algo profundamente metafórico ali. Sem querer dar spoiller (pois espero instigar você a ver o filme), preciso dizer algo importante. Alguém descobre como é entrar na cabeça de John Malkovich e viver, em primeira mão, a vida dele.

A gente poderia evoluir muito, politicamente, se tentássemos ver da perspectiva das outras pessoas. Talvez descobríssemos enganos subjacentes a tantas frases radicais e/ou aparentemente conclusivas.

Não podemos repetir a façanha que acontece na vida da personagem do filme citado. Todavia, podemos nos submeter a pelo menos duas experiência igualmente poderosa.

Meditar mais detidamente na profundidade do que nos é dito não é rebelião contra quem, de alguma forma, nos lidera. Na verdade, fazê-lo é o mesmo que nos rebelarmos contra nossa própria preguiça mental. (Talvez nossa passividade cognitiva seja a razão pela qual seguimos tantos “sabichões” aparentemente geniais).

Outra coisa: o ato de prestar atenção ao que diz quem discorda de nós faz um bem enorme. Mas apenas se tal coisa ocorrer sob a égide do respeito.

Alguém pode lutar pelos valores cultivados tradicionalmente pelas sociedades que evoluiram (em comparação com as demais) na história humana. Outro tipo de pessoa pode acreditar que, de algum jeito absolutamente novo, o velho Socialismo pode se tornar o paraíso na terra.

Contudo, mostre a seus filhos, alunos e amigos mais jovens que a vida é muito mais que tudo isso. Viver é muito mais do que defender algum conjunto político, social ou religioso de crenças.

O único tesouro que levaremos para a eternidade é o amor. Alguém disse que, no final, só o que fará diferença será o quanto amamos e o quanto fomos amados.

Que o amor ao próximo, que se traduz no respeito pela possibilidade do outro discordar de nós, guie nosso conceito de democracia. Ensine isso para a sua geração. Creio que a História aguarda, até mesmo com sofreguidão, a juventude que vai mudar os destinos do Brasil e do mundo.

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