Informação: sabemos pouco sobre tudo ou tudo sobre nada?

Se não evoluirmos seremos crianças armadas e vestidas com roupas de um exército sem compreender a guerra em que fomos alistados a nossa revelia.

Publicado por: em 24 de novembro de 2019 - 23:46

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ARTIGO

Foto: Agência Boa Imprensa/Divulgação

Quem me conhece sabe o quanto gosto de caminhar. Sou capaz de fazer um longo percurso a pé só para evitar os famosos engarrafamento de Recife.

Numa de minhas andanças encontrei uma frase pintada num muro. Ela perguntava de quem a lia se a pessoa gostaria de voltar no tempo. Como eu ainda tinha uns 40 minutos para andar até chegar a minha casa, me propus a digerir bem aquela indagação.

Conclui que gosto do século 21. E percebi que uma de minhas satisfações é saber que quase todas as demandas estão à distância de um clique num smartphone ou computador.

Mas nosso acesso à internet também camufla uma preocupação que este artigo gostaria de tratar. Todo mundo tem uma receita, resposta ou solução pra a maioria dos assuntos em qualquer roda de amigos. Sabemos um pouco sobre tudo. Sabemos mesmo?

Na minha humilde opinião: não sabemos que não sabemos de praticamente nada. Sequer sabemos aferir a integridade das informações que colhemos. Grande parte de nós somos como papagaios que repetem o que escutaram sem inferir a coerência, o contexto e as entrelinhas envolvidos na mensagem absorvida.

Evolução é um vocábulo muito em voga na área de autoajuda, mas ele não se exaure nesse sentido. Leitores podem evoluir. Pesquisadores podem evoluir.

Para começar creio ser importante partir da certeza de nossa ignorância. Precisamos de um repertório de filtros na coleta da informação que buscamos. Por quê? Porque a internet é um oceano de mentiras e meias verdades que precisamos afastar para os lados até encontrar as verdades mais inteiras.

Um segundo passo, no meu ponto de vista, é criar o costume de buscar a informação da maneira mais completa. Por que precisamos saber tão pouco sobre tudo que desperta nosso interesse ou se relaciona mais frontalmente conosco?

Talvez alguém que esteja lendo este artigo diga a si mesmo que não dispõe de muito tempo para implementar minha última sugestão. Se é o seu caso, leitor ou leitora, tenho uma pergunta para você.

Por quanto tempo você permitirá que sua intensa luta pela sobrevivência lhe roube tantas outras oportunidades importantes? Sua rotina, trabalho ou estudo não precisam escravizar sua atenção mental.

O que a informação é para você? Você entende que o conhecimento é poder? Está disposto a evoluir como usuário da internet e, consequentemente, como leitor nela?

Tomara que eu tenha, de alguma forma, tocada em algum ponto nevrálgico de sua consciência.

Se não evoluirmos nesse sentido, seremos como eternos bebês. Seremos como crianças armadas e vestidas com roupas camufladas de um exercito. E o que é pior: nem compreenderemos a guerra em que fomos alistados a nossa revelia.

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