Muro de Berlim: o onze de setembro às avessas

A Alemanha é um marco muito importante para o mundo.

Publicado por: em 16 de novembro de 2019 - 20:22

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ARTIGO

Foto: Andreas Von Lintel – 10.11.1989/AFP

No último dia 10 de novembro a queda do muro de Berlim completou 30 anos. Quando era criança me lembro de ter visto na televisão muitos alemães celebrando efusivamente aquele evento histórico. Minha mente infantil registrou o acontecimento por uma razão.

Fui criada numa igreja frequentemente visitada por missionários. Em diversas ocasiões fugi da sala em que havia programação adequada a minha faixa etária. O motivo? Queria escutar as histórias que os missionários contavam no culto dos adultos.

Cheguei a ouvir cristãos que evangelizavam secretamente em países comunistas. Inúmeros foram os relatos deles envolvendo prisão, perseguição, mortes de entes queridos e outras experiências pessoais angustiantes. A opressão não era obra aleatória. Ela era obra do governo comunista.

Em tese, seria interessante que todos recebessem o mesmo salário, caso esse valor monetário suprisse todas as necessidades de cada um. Mas como se estimularia a criatividade envolvida numa inovação tecnológica que beneficiasse a nação?

Ainda em tese: seria estupendo que nenhuma religião oprimisse outra. Mas é possivel o comunismo fazê-lo sem tirar das pessoas o direito de atribuirem seus contentamentos a alguma divindade, e não ao líder máximo do governo? A existência da cortina de ferro mostrou que não.

A Alemanha é um marco importante para o mundo. Ela está entre as contundentes provas de que as pessoas querem ser livres. Todos desejam justiça social, respeito religioso e boas condições de vida. Mas numa escala de valores, os seres humanos tendem a por Liberdade bem perto do topo da lista, ao invés destas outras demandas.

O dia 10 de novembro é o oposto do 11 de setembro de 2001. Se o segunda data nos lembra do poder do caos e da morte, a segunda deveria nos dar esperança. Acredito que a queda do muro de Berlim nos trás pelo menos duas lições.

A primeira: nada deve tirar a liberdade de alguém ir e vir, nem roubar a crença num poder espiritual transcendente. A segunda: apesar de ter seu charme no papel, o comunismo sempre foi o protagonista do atraso, da morte, da pobreza e do ateísmo aonde quer que tenha se instalado no mundo.

No Brasil muitos eleitores investem suas expectativa nos ideais socialistas acreditando que tal ideologia salvará o país das injustiças e da pobreza. O histórico muro de Berlim, por si só, já deveria convencê-los do quanto estão equivocados.

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