O Brasil é maior do que a Guerra de Informação

O que fazemos com a tendenciosidade de programas, jornais, revistas e sites dos quais gostamos?

Publicado por: em 12 de outubro de 2019 - 17:31

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ARTIGO

O poder da informação, entre seus mais contundentes conceitos, consta na História como estratégia para fins bélicos. E quando grafamos o termo “bélico” concebemos aqui tanto o lado objetivo quanto o objetivo dessa questão. No contexto do resultado das últimas eleições presidenciais o brasileiro constata diariamente o uso ostensivo de projéteis feitos com palavras que seguem alvejando a mente do nosso povo.

O universo político têm gerado notícias constantes nas mãos da Imprensa. Tais informes podem convergir convenientemente para o lado que alguns formadores de opinião pretendem. Contudo, o que até certo ponto foi um artifício furtivo usado por muitos jornalistas tornou-se, ultimamente, claro como a água límpida. Considerável parte da Imprensa tem vivido num combate que parece com um terceiro turno das ultimas eleições para presidente.

A defesa da democracia sempre foi orgulho dos partidos progressistas. Mas a indignação potencializada pela Imprensa de alguns desses segmentos partidários chega a beirar a infantilidade. Parece que o atual presidente da república encarna o próprio Inimigo Mor do Cristianismo e/ou de qualquer outra religião que alegue alguma suprema personificação do Mal.

Mas a questão a ser debatida é: o que o brasileiro faz com toda a tendenciosidade de programas, jornais, revistas e sites dos quais gosta? No mundo em que a luta pela sobrevivência consome tanto o tempo de cada um de nós, estamos formando novos hábitos para driblar a opinião pronta que muitos querem nos empurrar?

Numa certa charge dois indivíduos estão num pequeno barco que navega em alto mar. Ambos estão sentados em extremidades opostas. De repente um deles percebe um grande furo no casco do barco. O homem que percebe a água entrando na embarcação se desespera e começa a contar o fato ao companheiro. Mas o segundo indivíduo, mostrando muita calma, responde algo mais ou menos assim: “Eu não tenho nada a ver com isso. O problema é seu. O furo aconteceu no seu lado do barco”.

Pergunto-me se não estamos agindo como o sujeito imperturbado da tirinha mencionada. Se ao nosso redor familiares, amigos, colegas de trabalho ou de estudo não discernem a malícia por trás da informação, pensamos que nenhuma consequência jamais nos afetará? Se pessoas do nosso convívio são moldadas flagrantemente por interesses que só nós estamos testemunhando, escolheremos acreditar que “o furo no barco” não atentará, no fim, contra nós mesmos?

Creio que estamos juntos nesta grande embarcação chamada Brasil. Podemos divergir em opiniões políticas, sociais ou de que ordem forem. No entanto, presumo que o alarmismo, o ódio e a contestação agressiva e gratuita à realidade das últimas urnas não sejam maneiras mais adequadas para encarar muitas questões.

Erros e acertos fazem parte de governos de direita e de esquerda. Cabe a cada um de nós perceber que a busca pela informação real é um direito e, ao mesmo tempo, uma conquista pessoal. E vale ainda ressaltar que também temos o poder de repelir o “risco de morte cognitiva” imposta pelos “furos no barco”. E nesse sentido, termino esse artigo parafraseando uma expressão usada numa certa peça teatral. Para que o Brasil dê certo é fundamental que “ninguém solte a mão de ninguém”.

Por: Sayonara Andrade

Imagem: samaa.tv

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