Tempos Sombrios

“Estamos vivendo tempos sombrios”, diz Humberto após reintegração de posse em Caruaru

O Senador criticou a determinação judicial de reintegração de posse, com autorização do uso da força policial no assentamento de Normandia, em Caruaru (PE)

Humberto Costa, “Estamos vivendo tempos sombrios”, diz Humberto após reintegração de posse em Caruaru
Foto: Divulgação

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), criticou, nesta sexta-feira (6), a determinação judicial de reintegração de posse, com autorização do uso da força policial, contra o centro de formação Paulo Freire, no assentamento de Normandia, em Caruaru (PE). Para o senador, a decisão, tomada pela 24ª Vara da cidade, é incompreensível.

“É um local mantido pelo Movimento Sem Terra (MST) que remanesce do governo FHC. O juiz determina, nessa desocupação, o uso de forca polícia, arrombamento se necessário, condução coercitiva para a delegacia da Polícia Federal em caso de resistência, remoção de bens móveis e de animais para currais, já com autorização para doação ou abate. Isso tudo nos preocupa muito. Por isso, espero que o Tribunal Regional da Federal da 5ª Região (TRF-5) suspenda a ação cautelarmente”, afirmou.

O centro de formação Paulo Freire foi inaugurado em 1999 e, hoje, tem capacidade para abrigar cerca de 240 pessoas e dispõe de um auditório que comporta 800 pessoas.Ele destacou que instituições de relevância nacional fazem, inclusive, parceria com o centro mantido pelo MST, como a Universidade Federal de Pernambuco, a Fundação Oswaldo Cruz e o instituto federal do estado.

“A construção do auditório e de alojamentos começou no fim dos anos 90. Com o tempo, o local sofreu mais alterações. Hoje, o espaço conta com uma creche, oferece aulas e cursos diversos, funciona como a casa da juventude e tem uma academia da cidade com quadra esportiva. O centro de formação não é mais apenas uma referência para Pernambuco, mas sim para o país todo”, ressaltou.

Humberto entrou com um requerimento de informação para que o Incra explique o que move essa sua determinação de buscar a reintegração e contou que vai aguardar uma posição do TRF-5 sobre o caso. O governo estadual, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, entrou com uma ação de medida cautelar para suspender a operação.

“Estamos vivendo tempos sombrios. Há um governo em Brasília que não vê com bons olhos a reforma agrária e os movimentos sociais. As iniciativas contra assentamentos rurais devem ser vistos com preocupação”, observou.

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