Crítica

Humberto declara, Bolsonaro não é digno do cargo de presidente do Brasil

Senador afirma que brasileiros estão constrangidos por declarações contra a memória alheia e a favor de ditaduras.

Humberto, Humberto declara, Bolsonaro não é digno do cargo de presidente do Brasil
Brasília – DF, 03/09/2019. Senador Humberto Costa, líder do PT no Senado, durante discurso no plenário do Senado. Foto: Roberto Stuckert Filho
 
O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), condenou, veementemente, os ataques do presidente Jair Bolsonaro (PSL) à alta comissária da ONU para os Direitos Humanos e ex-presidente do Chile, Michele Bachelet, e à memória do pai dela, general Alberto Bachelet, morto pela sanguinária ditadura militar de Augusto Pinochet.
 
Da tribuna da Casa, o líder petista afirmou que Bolsonaro mostra que é indigno para o cargo e envergonha o Brasil com a sua postura absolutamente atentatória à dignidade humana. “Bolsonaro não tem compostura, respeito, humanidade e condição de representar o espírito do povo. O brasileiro não defende tortura, não critica a memória dos que se foram e não aceita ser representado por alguém dessa estatura moral diminuída que tem o presidente da República”, declarou
 
Humberto disse que os brasileiros estão constrangidos por essas declarações contra a memória alheia e a favor de ditaduras. “Em nome do PT e do Brasil, peço sinceras desculpas ao povo chileno pelos ataques”, comentou. A agressão de Bolsonaro à alta comissária da ONU foi feita em suas redes sociais depois que Bachelet, em uma entrevista sobre temas ligados ao exercício da sua função, disse que houve uma restrição do espaço democrático no Brasil, nos últimos tempos, com ataques a defensores dos direitos humanos.
 
A manifestação do presidente brasileiro deixou profundamente irritada a classe política chilena, mesmo de partidos de direita, que tem exigido manifestação do presidente Sebastian Piñera, de quem Bolsonaro é aliado.
 
LAVA JATO
O líder do PT falou ainda das novas revelações do Intercept que mostraram que o procurador Deltan Dallagnol articulava uma candidatura própria ao Senado. No entendimento de Humberto, a articulação de agentes públicos – cuja atividade político-partidária é terminantemente vedada pela lei, para disputar mandatos, usando a própria operação Lava Jato como um trampolim para votos – é um escândalo. 
 
Para o senador, é a assunção mais clara e escancarada de como havia uma ativa militância política que funcionava nas hostes do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e do Poder Judiciário, com planos eleitorais definidos para atingir desafetos e eleger seus apaniguados.
 
“Tomamos conhecimento, agora, de que Dallagnol também tinha traçadas as suas estratégias, entre elas a de ter um candidato do ‘Partido da Lava Jato’ em cada estado brasileiro. Então, não há dúvida de que estamos diante da maior e mais descarada atividade política de membros da polícia, do Ministério Público e do Judiciário da nossa história”, afirmou.
 
Em seu discurso, o parlamentar demonstrou ter dúvidas se, a partir dessa confissão de Dallagnol que se tornou pública, a turma da Lava Jato ainda terá a ousadia de posar de isenta diante do país. Ele também ironizou ao comentar que não sabe como os integrantes da operação farão para fingir que não agiam movidos pela política para perseguir aqueles que consideravam inimigos e eleger seus aliados.
 
“Estamos diante de um escândalo de imoralidades e de corrupção. E é assombroso que, até esta data, não haja um órgão de controle sequer deste país que tenha dado início a um processo de investigação da conduta desses maus agentes, que enlamearam a atividade policial, o Ministério Público e a magistratura. Nada. Todos estão impunes”, disparou. 

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