Ações não medicamentosas importantes para a saúde do idoso

Publicado em 24 de novembro de 2017

O aumento do tempo de vida, caracterizado pela longevidade e esperança de vida, tem sido um fenômeno mundial. No Brasil estima se que, em 2050, um em cada três brasileiros serão idosos (IBGE 2017). Num período de 8 décadas, a expectativa de vida no Brasil saiu de 45 para 75 anos. Estes dados trazem novos desafios, problemas e oportunidades para os Governos nas esferas, Municipal, Estadual e Nacional.  assim como trazem desafios à família e à sociedade em geral.  Há uma verdadeira revolução envolvendo desafios políticos, econômicos, sociais, demográficos e, de modo especial, nos campos da saúde, melhoria da Qualidade de Vida, da Nutrição e Alimentação, Exercício Físico e Práticas Alternativas.

O conceito de Saúde ao qual me refiro é o estabelecido na Constituição Brasileira de 1988. O artigo 196 assim afirma: “Saúde é um direito de todos e um dever do Estado garantido mediante políticas econômicas e sociais capazes de reduzir o risco do adoecimento”. Portanto, saúde não é a ausência de doenças, e sim, a melhoria da qualidade de vida da população.

Outro conceito sobre qualidade de vida a que me refiro é o definido por alguns autores, como Minayo, Hartz e Buss : ” uma noção, eminentemente humana, que tem sido aproximada ao grau de satisfação encontrado na vida familiar, amorosa, social e ambiental e à própria estética existencial. Pressupõe a capacidade de efetuar uma síntese cultural de todos os elementos que determinada sociedade considera seu padrão de conforto e bem-estar. O termo abrange muitos significados que refletem conhecimentos, experiências e valores de indivíduos e coletividades que a ele se reportam em variadas épocas, espaços e histórias diferentes, sendo portanto, uma construção social com a marca da relatividade cultural”.

 Na perspectiva de contribuir com a qualidade de vida dos indivíduos, e, em especial, dos idosos, objetos deste artigo, faz se necessário fazer, no que se refere às condutas medicamentosas e não medicamentosas, algumas rápidas considerações.

No que diz respeito ao uso de medicamentos, a conduta médica vigente aponta para o uso racional, aconselhando que não se faça o uso de mais que cinco drogas por dia, a chamada Polifarmácia. E quando isso é indicado, que seja de forma muito criteriosa. A automedicação, por outro lado, deve ser uma prática abolida em todos os níveis de vida, e especial, no dos idosos.

Quanto às condutas NÃO MEDICAMENTOSAS, estas vêm ocupando cada vez mais espaços, seja na prevenção, no tratamento e/ou recuperação de doenças. Dentre estas podemos destacar: PRÁTICAS INTEGRATIVAS, EXERCICIOS FISICOS, NUTRIÇÃO, ALIMENTAÇÃO SAUDAVEL.

PRÁTICAS INTEGRATIVAS: são recursos e métodos não biomédicos, não medicamentosos, que incorporam práticas tradicionais e estratégias de diagnóstico, prevenção e tratamento e recuperação de agravos, destinados aos cuidados humanizados e integral em Saúde, estimulando alternativas inovadoras aos pacientes e profissionais recomendadas pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial de Saúde. Exemplos: Ioga, Plantas Medicinais, Acupuntura, Massoterapia, Auriculoterapia, Homeopatia, etc.

EXERCÍCIO FÍSICO: se constitui numa das mais importantes atividades de prevenção, tratamento e recuperação da Saúde, não medicamentosa. O exercício físico, quando praticado regularmente e sem exageros, provoca uma série de respostas fisiológicas do organismo, causando uma sensação de bem estar. São já reconhecidos em seus efeitos benéficos exercícios como Caminhadas, Dança de Salão, Pilates , Hidroginástica, Musculação, uso de Esteiras Ergométricas,  Natação, uso de Bicicletas, entre outros.

NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL: Quando falamos de Nutrição estamos nos referindo À utilização dos alimentos pelo organismo (reflexo biológico). A alimentação é a possibilidade da realização humana mediada pela presença da comida. A alimentação compreende aspectos que dizem respeito às políticas de uso da Terra, produção, transporte, à comercialização, a possibilidade ou não de aquisição dos alimentos até à escolha individual ou coletiva para seu uso. Nisto se incluem  do quê, com quem, onde, como comer, preferências, rejeições, atitudes, práticas alimentares,  comportamentos plenos de representações, significados, simbolismos, Comemorações, rituais, desejos, prazeres, cuidados com a saúde, dietas, ideais de beleza corporal, lembranças, finitude. Alegrias e tristezas fazem parte, de alguma forma, do universo da Alimentação, que corresponde à noção ampla e potencialmente capaz de abarcar componentes de felicidade, de bem-estar e de segurança presentes no cotidiano de pessoas de todas as idades.

Neste sentido é muito importante enfatizar a Nutrição e Alimentação Saudável como um dos campos de excelência, buscando a Qualidade de Vida e medida não medicamentosa de repercussão extraordinária no estado de saúde. 

Em conclusão: A melhoria da qualidade de Vida, as práticas integrativas, os exercícios físicos e a nutrição-alimentação saudáveis constituem-se em medidas não medicamentosas de vital importância para os idosos e a população em geral.   

Paulo Santana

Médico, Doutor em Nutrição e Saúde Pública, professor Associado da UFPE.

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