Sinpol realiza o 1º Ciclo de Debates sobre Mitos na Segurança Pública

  • Publicado em 26 de novembro de 2017

  • Na última sexta-feira, dia 24 de novembro, o Portal de Prefeitura participou do 1º Ciclo de Debates cujo tema foi: “Segurança Pública – desconstruindo mitos na busca de Soluções”. O evento aconteceu no auditório do Sindicato dos Policiais de Pernambuco. Entre os debatedores estavam presentes Áureo Cisneiros, presidente do Sinpol, o Delegado de Polícia Civil Marcelo Barros, o Cientista Político Michel Zaidan e Marcelo Freixo, Deputado Estadual pelo Rio de Janeiro.

    Áureo Cisneiro, há três anos na gestão do Sindicato, falou que apenas a repressão não irá resolver o problema da Segurança Pública no país. São necessárias políticas sociais e políticas preventivas da violência.

    O Delegado Marcelo Barros, outro debatedor, falou de alguns mitos envolvendo Segurança Pública. Dr. Barros fez Especialização, Mestrado e Doutorado em Segurança Pública. Ele afirmou que não existe Política de Segurança Pública no Brasil, como regra geral. Declarou ainda que o Pacto Pela Vida, experiência governamental pernambucana, mostrou-se a um Programa de Redução de Homicídios. Barros declarou que resultados positivos vieram do Pacto, e isso deveria ser aproveitado, contudo, o Brasil tem um histórico de descontinuidade para com projetos que deram algum fruto, e isso acontece, inclusive, dentro de uma mesma legenda partidária.

    O delegado falou também sobre a Secretaria Nacional de Segurança Pública – SENASP. Em sua opinião, o órgão dispõe de recursos financeiros e potencial enormes, mas é um órgão que perdeu o rumo. Barros declarou que a SENASP poderia, por exemplo, criar um software de gerenciamento de Delegacia e poderia disponibilizá-lo para todas as delegacias do país. Assim, o Sistema de Comunicação entre as Delegacias se integraria. Outro exemplo está na formação policial.  A SENASP poderia ainda, segundo Marcelo, dar condições para que as Academias de Polícia funcionassem organicamente, e não, apenas quando concursos públicos são realizados. “A Academia de Polícia poderia ter um corpo docente permanente e dar uma formação que fosse técnica ou profissional aos alunos. Não basta só fornecer armas, viaturas e coletes. A SENASP tem o poder de integrar as Polícias brasileiras, mas não o faz”, declarou o Delegado.

    O Policial Civil também falou sobre o modelo que, em sua opinião, implode o sistema carcerário e que diz respeito às prisões envolvendo o Tráfico de Drogas. “Nós levamos uma mão de obra dos nossos jovens para o Crime Organizado, e lá dentro (dos presídios) ou eles se filiam ou eles morrem. E quando saem da cadeia eles ainda são funcionários das Organizações Criminosas”, declarou o Delegado. Marcelo Barros declarou que defende uma política de regulamentação das drogas, “pois o Estado não pode deixar toda essa questão nas mãos só de traficantes”, concluiu Barros.

    O Cientista Político e Professor da UFPE Michel Zaidan também participou do evento. Declarou que “a população carcerária brasileira não tem disciplinarização”. Ele declarou ainda: “não temos uma cultura de negociação, e sim, de aprisionamento. No Brasil, não acreditamos em mediação, então, a judicialização é direta, e isso abarrota, naturalmente, os presídios”. O Brasil tem 600 mil presos e um déficit carcerário profundo, o que desacredita por inteiro a questão da ressocialização, acredita o Professor. Zaidan declarou que não vê sentido algum no termo “ressocialização” num ambiente carcerário como o do Brasil. Os presos têm que se ressocializar na cultura do cárcere, se quiserem sobreviver, asseverou Zaidan.

    A violência não tem uma causa só. Ela é multidimensional. E, segundo Michel, “a violência não é praticada, necessariamente, pelos pobres. Isso é um preconceito, é uma política Lombrosiana. Há muito crime urbano praticado por pessoas de famílias da classe média e escolarizadas”, assevera Michel. “Não adianta a Polícia combater o efeito. Ela tem que combater a causa. E qual é a causa da Violência? É o modelo de sociedade criminógena que nós temos, afirmou o Cientista Político.

    Dr. Zaidan disse que não se pode pensar Segurança Pública de forma independente de outras Políticas Sociais. Não existe Segurança isoladamente. Você tem que considerar Educação, Renda Trabalho, Saneamento, Transporte, etc”.

    Zaidan também é contra o excesso de criação de tipificação penal, o que torna, a sociedade, criminológica mesmo”, explica. Tudo é passível de ser tipificado como crime. Isso não resolve os problemas da Segurança Pública.

    Em sua conclusão, o Professor falou da importância do fim do preconceito “contra negros, pobres e homossexuais pelas Polícias, por falta de treinamento adequado no tratamento com as minorias sociais”, disse Michel.

    Ao ser ouvido no Debate, o Deputado Marcelo Freixo, do Rio de Janeiro, também falou sobre algumas contradições da área de Segurança Pública. “Quem defende os direitos humanos não é contra a Polícia”, declarou. Ao ser contra execuções sumárias ou torturas, Freixo declarou que não é o mesmo que ser contra a Polícia. “Nem todo policial é torturador. Nem todo policial pratica execução sumária”, disse o parlamentar. O deputado também afirma que criou, junto com a Polícia Militar do Rio de Janeiro, um protocolo de ação colaborativa para atender familiares de policiais mortos. Trata-se de um protocolo de atendimento por médicos, psicólogos, advogados e assistentes sociais.

    Marcelo declarou ainda que a Esquerda deixou um vácuo na discussão sobre a Segurança Pública, porque não entendeu a importância do debate sobre o assunto, não deram valor ao debate sobre o assunto. Assim, (a Esquerda) “deixou que que os instrumentos conservadores fizessem disso instrumentos de poder, de dominação. Ela permitiu que esse debate fosse dominado por um olhar conservador retrógrado na sociedade. Era melhor falar de Educação, era melhor falar de Reforma Agrária, era melhor falar das lutas identitárias”, concluiu Freixo.

    Fonte da Imagem: www.sinpol-pe.com.br

     

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