Priscila Krause: as eleições, a Hemobrás e o lado mulher

  • Publicado em 20 de outubro de 2017

  • A facilidade na lida com os temas variados abordados em pauta, a eloquência, a precisão e o domínio que a deputada estadual Priscila Krause (DEM -Democratas)) entrega de primeira só ratificam o seu preparo para a política e para as discussões por ela geradas.

    Os três mandatos como vereadora do Recife e a experiência atual, na Assembleia Legislativa de Pernambuco, a colocam em uma posição de não legislar por legislar. Priscila se preocupa em trabalhar de maneira que as matérias que caibam regulamentação e que essas conversem com a realidade das pessoas, apesar das limitações constitucionais.

    Foto: Beto Dantas/Portal de Prefeitura

    “Tem espaço, sim, para fazer isso.  A gente tem sempre que encontrar mecanismos de negociação, de busca de consenso, com os atores envolvidos no assunto da lei a ser proposta e ao mesmo tempo com o Governo, independente do deputado ser de governo ou oposição”, ratifica a democrata.

    A mais recente luta de Priscila dentro da Assembleia é para assegurar que Pernambuco continue seu pioneirismo nas políticas de sangue e no desenvolvimento científico e tecnológico, defendendo a permanência da Hemobras no Estado. “A Hemobras tem uma história em Pernambuco. Fomos pioneiros, não apenas no Brasil, mas na América Latina, com a construção de um hemocentro próprio, o Hemope, e sempre tivemos um espaço de vanguarda na política de sangue do brasil, chegando, inclusive, a produzir hemoderivados fator 8 e 9. Trazer um grande hemocentro pra cá sempre foi um ideal”, relembra a parlamentar, que coordena a Frente em Defesa da Hemobras, instalada na Alepe no dia 10 de outubro.

     

     

    PERNAMBUCO x HEMOBRAS

    “O futuro não está no petróleo, ele está na biotecnologia. Isso é ciência e é desenvolvimento”, destaca.

    Priscila considera que o grande equívoco do Governo é não ter a mesma percepção de importância dada ao Polo Petroquímico com o Polo Farmacoquímico e Biotecnológico. Para a parlamentar, a refinaria a ser instalada em Goiana tem prioridade e importância proporcional ou superior ao Porto de Suape e a Refinaria Abreu e Lima.

    A ausência do conhecimento para fabricação dos recombinantes a partir da biotecnologia exigiu a firmação de contratos para a chamada transferência de tecnologia. Dois contratos de Parceria de Desenvolvimento de Produção (PDP) foram estabelecidos com a construção da Hemobrás, um com a estatal francesa LSB, responsável pelos hemoderivados, e com a Baxter Internacional, parceira da companhia Sheire – proponente de um aporte de recursos na Hemobrás que se aproxima de R$795 milhões, responsável pelo conhecimento biotecnológico, ambos com prazos e gestão da estatal brasileira.

    “Dentro de um calendário médio de 10 anos, compraríamos os hemoderivados à LFB e os recombinantes à Sheire e, nesse período, elas fariam a transferência de tecnologia para gente. Em 10 anos teríamos autonomia para fabricar nossos próprios produtos, mas os desvios, a má gestão e a má condução dentro da Hemobras trouxeram a Operação Pulso, desmontando os problemas de gestão, e abrindo margens para o que vemos hoje: a tentativa do ministro Ricardo Barros de levar essa parte de biotecnologia para o Paraná. No Sul ou Sudeste, talvez, um equipamento desse porte fosse uma gota no oceano, mas no Nordeste, com uma política nacional de desenvolvimento, não apenas a política de sangue, isso traria um rebate muito importante”, detalha Priscila, preocupada com a real motivação e grau de intencionalidade do ministro na tomada de decisão, que pode agravar tal crise de abastecimento e justificando possíveis contratações que não atendam ao contrato da PDP.

    Para a parlamentar o Governo do Estado pecou em não defender o equipamento e falha ao se ausentar das discussões relacionadas à estatal, o modo como o mesmo se comporta e observa os embates. “Se eu fosse governadora de Pernambuco, convocaria os 25 deputados federais, convidaria os 49 deputados estaduais e os 3 senadores, envolveria os ministros pernambucanos que atuaram fortemente na vinda da Hemobrás para o Estado, pois essa luta nossa”.

     

    2018

    “Não apenas por conta da Hemobrás, mas por um posicionamento político, de percepção do Estado, da função do Governo, para mim, o projeto do PSB é um projeto esgotado”. A crença de Priscila na reconexão permanente entre governo e sociedade a levam a reafirmar seu posicionamento na busca de novos atores e ingredientes para o cenário político de Pernambuco.

    A reorganização de forças por parte das oposições no Estado caminha e dialoga entre aqueles que possuem maior afinidade para apresentar um grupo político que ainda não se é mensurado, mas anseia pela renovação, mostrando a Pernambuco uma nova alternativa. Entretanto, do ponto de vista eleitoral, Priscila Krause ainda não se coloca como possível candidata ao executivo estadual, focando em sua reeleição como deputada estadual, mas sem colocar uma agenda eleitoral a frente do trabalho que vem realizando na Alepe.

    “Acredito que, dentro desse diálogo entre partidos, tem que se ter a maturidade para perceber que a gente tem que ter um candidato viável e com a capacidade de ganhar a eleição e governar o estado”, finaliza.

    Por: Raissa Cardeal

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